Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Os mártires do fim do século XX

Leio no DN, de 29 de Novembro, que o Presidente da Associação de Deficientes das Forças Armadas de Viseu, João Gonçalves, iniciou uma greve de fome pela redução dos direitos na assistência na doença. Afirma ele, em nome de 800 militares do distrito de Viseu que combateram em África, Timor e Índia que viram reduzidos os poucos direitos que tinham com o encerramento do Hospital Militar de Coimbra, obrigando esses doentes, muitos deles com deficiências profundas, a recorrer às unidades de saúde militar de Lisboa e Porto.

Isto que se diz dos ex-combatentes de Viseu aplica-se àqueles que vivem em Trás-os-Montes, na Beira Alta, no Alentejo e, sobretudo, nas Ilhas e nos países de acolhimento, onde a emigração os levou, por necessidade de sobrevivência.

Pegando nas palavras deste dirigente associativo: «há anos andamos a lutar pelos direitos dos militares que serviram a Pátria e que têm uma mão cheia de nada». Indignado com as últimas leis aprovadas pelo governo que nos retirou os poucos direitos que tínhamos, João Gonçalves entrou em greve de fome e promete ir até às últimas consequências. «Se for preciso morrer, que seja, mas não aguento mais este sofrimento. Todos os dias vêm aqui ex-militares pedir ajuda que não

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