Segundo o anúncio publicado em Diário da República, o presidente do conselho diretivo do Património Cultural – Instituto Público, João Soalheiro, propôs ao secretário de Estado da Cultura a classificação da panificadora de Chaves, no distrito de Vila Real, como monumento de interesse público.
Já em agosto 2024, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) tinha avançado com a proposta, ao Património Cultural, de classificar “a icónica” panificadora de Chaves porque, segundo justificou na altura, se trata “de um imóvel de elevado interesse patrimonial e testemunho singular da arquitetura industrial modernista portuguesa, bem como da obra do seu autor, Nadir Afonso, cuja salvaguarda é de enorme importância”.
O edifício industrial dedicado à panificação foi projetado pelo arquiteto flaviense Nadir Afonso e finalizado em 1962.
Segundo a CCDR-N, “na obra, conjugadas com a estética de pendor funcionalista do autor, são assimiladas as influências de Corbusier e Niemeyer”.
“Do ponto de vista estético, evidencia-se o controle e articulação das formas gramaticais modernistas – como abóbadas, coberturas inclinadas de uma água, chaminés, reticulados, lâminas verticais, panos lisos ou muros em curva – bem com a sua aplicação ao contexto urbanístico”, acrescentou a comissão de coordenação.
A CCDR-N justificou ainda que “este é um dos últimos edifícios sobreviventes da autoria de Nadir Afonso, um nome incontornável no panorama artístico nacional, e permanece até aos dias de hoje como um dos melhores exemplos de arquitetura modernista em Trás-os-Montes, conservando um elevado grau de integridade e autenticidade”.
Nadir Afonso (1920/2013), que chegou a trabalhar com os arquitetos Le Corbusier e Oscar Niemeyer, morreu em 2013 e deu nome ao Museu de Arte Contemporânea construído na sua cidade natal, Chaves.
Segundo o anúncio publicado hoje em DR, as observações dos interessados deverão ser apresentadas junto da Unidade de Cultura da CCDR-N, que se pronunciará no prazo de 15 dias úteis.
Já antes tinham sido abertos procedimentos de classificação desta panificadora, em Chaves, que implicaram que o edifício situado entre as avenidas Nuno Álvares e General Ribeiro de Carvalho e a Travessa Nuno Álvares, na freguesia de Santa Maria Maior, passasse a ter o estatuto de “em vias de classificação”.
Isto significou que o imóvel e os localizados na zona geral de proteção (50 metros contados a partir dos seus limites externos) ficaram abrangidos pelas disposições legais em vigor.
Nadir Afonso fez também um projeto congénere em Vila Real, para o qual chegou a ser aberto um procedimento de classificação para imóvel de interesse público, mas neste caso a antiga Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) arquivou o processo, considerando que o edifício já não reunia características para uma classificação.
Neste caso, o espaço privado onde estava localizado o imóvel projetado por Nadir Afonso, construído em 1965, foi adquirido por uma cadeia de supermercados e acabou por ser demolido em fevereiro de 2020, no âmbito do projeto de renovação do hipermercado.
Em abril de 2017, já tinham sido demolidas partes da fachada da antiga panificadora.
Os dois imóveis (Chaves e Vila Real) marcam a carreira de Nadir Afonso, por serem os seus últimos projetos de arquitetura.






