Quarta-feira, 24 de Abril de 2024
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“Pode haver uma equipa competitiva só com jogadores transmontanos”

Rui Gonçalves, de 39 anos, treinador do FC Lordelo, foi o convidado do programa “Bola ao Centro”.

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Começou a jogar futebol aos 18 anos, passou por clubes como Cumieira, Lobrigos ou Mateus, e nunca pensou ser treinador, mas uma oportunidade dada pelo Abambres SC acabou por lhe despertar o interesse. Nos seniores, o percurso teve início no Cumieira e nunca mais parou. Agora, admite, “é difícil parar. Ser treinador surgiu por acaso, só queria ajudar os jogadores e os clubes. Mas, depois, é um processo natural, vais e queres mais e agora é um vício”.

Tem a experiência de treinar a formação e os seniores e admite que treinar miúdos “é mais desafiante”.

“A evolução é quase diária, sobretudo os miúdos que querem mesmo aprender. Vê-los crescer, semana após semana, é muito aliciante. Depois, nos seniores, a parte competitiva é viciante, nós gostamos disso”.

Relativamente à época desportiva, Rui Gonçalves admite que não está a corresponder às expectativas. “Podíamos ter vencido mais um ou outro jogo, mas não é a nossa classificação que me preocupa. Não estou satisfeito com o futebol praticado e a culpa é minha. Claro que gostava de ter outras condições, um plantel mais dotado, mas quem está connosco está porque gosta”. No entanto, “não é fácil implementar o nosso modelo de jogo em jogadores que estavam fora de competição há muito tempo. Tudo fica mais complicado, mas temos de arranjar estratégias para mudar isso e praticar outro futebol na segunda fase”.

Com muitas dificuldades em construir um plantel competitivo, o mister teve de recrutar no campo da Estação, em Vila Real. “Às vezes, passo por lá e vejo quem tem qualidade técnica, mas, em contexto de competição, não é fácil a adaptação. Temos um miúdo angolano e outro brasileiro que os vi jogar na Estação e convenci-os a vir treinar e jogar no Lordelo”.

Durante o jogo, Rui Gonçalves revela que não consegue estar parado. “Sou muito chato, estou sempre em cima do jogo. Gosto que os jogadores tomem as decisões, mas muitas vezes tenho de ser eu a tomar as decisões. Não gosto de o fazer, mas, esta época, já tive de ensinar como se faz um passe longo, uma cobertura ou um pontapé de baliza. Depois, nos jogos, isso custa caro”.

Não gosta de perder nem a feijões, mas as derrotas são uma realidade, pelo que tem de passar uma mensagem positiva aos jogadores. “Assumo os meus erros. No final do jogo, tento passar uma mensagem positiva, mas, na terça-feira, temos de tocar nas feridas para tentar melhorar nos próximos jogos”.

Admirador do alemão Jürgen Klopp, Rui Gonçalves não sabe onde estará na próxima época, mas, daqui a cinco anos, gostava de treinar no Campeonato de Portugal.
O técnico tem o sonho de treinar o Athletic Bilbao, que só tem jogadores do País Basco, acreditando que “a nossa região pode ter uma equipa competitiva só com jogadores transmontanos. Temos qualidade na formação que não está a ser aproveitada”, lamenta.
O programa “Bola ao Centro” pode ser visto todas as quartas-feiras, às 21h00, em direto no Facebook e Youtube do jornal.

VEJA O VÍDEO DO PROGRAMA:

BOLA AO CENTRO – RUI GONÇALVES

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