Terça-feira, 21 de Maio de 2024
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António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real

Por ocasião do 16º aniversário do ADV

"O benchmarking é um importante instrumento de gestão das empresas. Também o pode ser na gestão dos territórios”

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A preparação deste meu Visto do Marão ocorreu quando me aparece casa adentro a notícia de que Portugal tinha sido galardoado com o Nobel do Turismo, ou seja, o prémio de melhor destino turístico do Mundo, entregue pela World Travel Awards.

Curioso, e como já tem vindo a acontecer que temos recebido outros prémios em certame semelhante de anos anteriores, cuidei de saber se o Douro, que já foi destino turístico de excelência, 7º destino para o turismo sustentável, integrando a Rede Internacional de Destinos de Geoturismo da National Geographic Society, constava da lista de premiados. E nada. Na verdade, desde que o polo de desenvolvimento turístico foi extinto, o Douro deixou de surgir nos prémios internacionais de turismo, ou muito raramente aparece. Um bom motivo de reflexão quando se celebra o 16º aniversário da classificação pela UNESCO do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade.

Preocupados com a imagem que esta mesma classificação tem na população duriense, naqueles que constroem a paisagem, ou são responsabilizados pela sua manutenção, tenho vindo a desenvolver com outras pessoas sensíveis a essa problemática algumas iniciativas com vista a fazer com que esta insígnia da UNESCO seja um claro fator de desenvolvimento da região. (Atenção: se preguntarmos aos durienses o que a classificação da UNESCO trouxe ao Douro podemos ficar desiludidos com a resposta).

Um trabalho deveras interessante e que poderia ser ainda mais proveitoso para a região se não houvesse tantos obstáculos, para não dizer “forças de bloqueio”. O benchmarking é “um importante instrumento de gestão das empresas”. Também o pode ser na gestão dos territórios.

O contacto com outras regiões vinhateiras, que também mereceram a classificação da UNESCO, tem-nos permitido conhecer outras experiências, partilhar saberes, também os do Douro, assim como colher ensinamentos. Em recente visita a Lavaux, na Suíça, foi dado especial realce à necessidade de aproximar o trabalho da equipa de gestão das populações, envolvendo-as e responsabilizando-as pelas soluções e pelo trabalho de desenvolvimento da região. Existe mesmo um departamento de Mediação, que é uma das faces mais visíveis da aproximação à população local e demais stakeholders.

No ToKaj, Hungria, algo de semelhante se passa. Apoiar e implementar estratégias de desenvolvimento regional e projetos que integrem os 27 municípios da Região Vinícola é a grande tarefa do Conselho de Desenvolvimento da Região. A entidade responsável pela gestão dedica especial atenção a estabelecer a ligação entre as autoridades administrativas nacionais e regionais com os atores locais, criando uma comunicação estável e eficiente entre as partes interessadas no desenvolvimento da região.

Bons motivos de reflexão.

Este ano, o 14 de dezembro tem algo de novo – o “Somos Douro”. Designação de um trabalho que deu origem a um projeto, de que alguns desdenharam. Ficou o nome. Ainda bem.

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