Sexta-feira, 7 de Maio de 2021
Carlos Moreira
Vereador do PSD na Câmara de Vila Real

Reflexões – Para onde vamos?

A impunidade, que se tem acentuado nos últimos anos, é a responsável pela incontinência da sofreguidão de alguns, alimentados pelas práticas e exemplos que vêm de cima”

O aparelho de Estado está refém duma gestão danosa, em que o único objetivo é a perpetuação de um poder tantas vezes efémero, tantas vezes mesquinho, que não se importa de hipotecar o futuro, de discriminar quem quer que não se submeta à prática e ao aplauso do pensamento único vigente.

A impunidade, que de forma exponencial se tem acentuado nos últimos anos, é a responsável pela incontinência da sofreguidão de alguns, alimentados pelas práticas e exemplos que vêm de cima.
Isto é o resultado de vários anos de nomeações incompetentes para funções que deveriam ser de responsabilidade.

Para tentar demonstrar que se está a trabalhar para resolver os problemas, nomeiam-se e dá-se voz a “especialistas”, noutros tempos criaram-se “grupos de sábios” para “sabiamente” solucionar os problemas.

Pergunto. Porque é que ao longo dos últimos anos, entregues a tantos “especialistas” e “sábios” assistimos à degradação que se constata?

Será que os ditos “especialistas” são mesmo isso? Será que o objetivo é mesmo solucionar os problemas? Ou será antes sacudir as responsabilidades do poder político, criando um clima de “balbúrdia”, onde ninguém se entende e as responsabilidades se diluam por entre tantas opiniões contraditórias?

Com um profundo respeito por quem estuda e trata com seriedade os assuntos da sua competência, também assistimos hoje à proliferação de entendidos nas várias matérias, cujo objetivo primeiro, disfarçado de contribuição para a solução dos problemas, é ser voz do dono e garantir o lugar cimeiro na distribuição de benefícios de quem tem o poder e tudo fará para o perpetuar.

Ouve-se, vê-se, sente-se, não se acredita e permite-se.

Quando julgávamos completamente ultrapassadas e fora de moda as práticas de outros tempos, eis que ressurge agora com mais força e mais vigor a verdadeira natureza de algumas almas peregrinas, que a coberto do voto popular se acham legitimadas para a tudo e todos controlar, a tudo e todos condicionar, num assomo de auto proeminência desmedida, disposta a nem sequer terminar no alto de um pedestal das mais generosas dimensões.

A nível local ou a nível nacional, ai de quem ouse ter voz própria, muito menos ter a ousadia de chamar as coisas pelos nomes, porque logo a ira se abate sem pinga de remorso sobre quem tem tal atrevimento.

As pessoas ainda não vão presas, ainda não desaparecem sem deixar rasto, mas já vivem sufocadas por uma asfixia latente, em que quando não são elas, são os seus a pagar tais ousadias.

O poder sem pudor toma as medidas necessárias, não ao povo que devia governar, mas para a sua perpetuação. Difunde anúncios, cria cargos, distribui promessas e compra obediências, como os quinze milhões de euros aos principais grupos de comunicação, para garantir a importante crítica favorável.

Localmente, a juntar à utilização abusiva dos meios de comunicação autárquicos, assistimos desde há mais de três anos, à manutenção de um “órgão oficioso”, alimentado indiretamente pelo orçamento municipal e a outras manifestações de sentido único.
Vemos, ouvimos e calamos.
Depois queixem-se.

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