Em primeiro lugar, porque o novo parque previsto para o Seminário tem uma capacidade limitada, que não colmata o número de lugares de estacionamento eliminados em várias artérias da cidade, como contrapartida para financiamento das obras do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU). Depois porque implica/força a aquisição de um terreno para o qual se diz que já há acordo, mas que não se conhece exatamente, nem quanto vai custar.
Por outro lado, mesmo ali ao lado, a Câmara Municipal de Vila Real possui um Mercado Municipal a necessitar urgentemente de reabilitação. Como defendo desde há muito tempo, seria uma boa oportunidade e um bom investimento, uma intervenção no mercado e arruamentos circundantes.
Permitiria criar um parque de estacionamento com o triplo dos lugares que vão estar disponíveis no novo parque do Seminário e permitiria também a criação de um mercado moderno adaptado às novas necessidades, com melhores condições para todos os utilizadores: agricultores, comerciantes e público em geral.
Ao contrário do que tem sido dito, esta intervenção que defendo, permitiria ainda a manutenção das atividades do Mercado durante o período das obras, uma vez que era perfeitamente possível a construção em duas fases, com poucas implicações na vida das pessoas.
A intervenção que defendo deveria criar também espaços próprios para os lojistas, para cargas e descargas no interior, libertando e ordenando os arruamentos circundantes e acabando com a circulação do trânsito de forma caótica, que tantas vezes acontece.
Pela estimativa que fiz, o custo da obra seria de cerca de 9 000 000 euros. O custo apontado para a construção do novo parque no Seminário é de
3 600 000 euros, o custo apontado para a aquisição do terreno é de 600 000 euros, a actual intervenção no mercado está estimada em 1 100 000 euros, e outras intervenções à margem desta, em cerca de 200 000 euros, que perfazem a “módica” quantia de 5 500 000 euros.
Fazer este investimento, mais o que vai custar a intervenção nas ruas Gonçalo Cristóvão, de Santa Sofia e parte das ruas D. Pedro de Castro e Dona Margarida Chaves ou investir 9 000 000 euros numa infraestrutura moderna com todas as condições de utilização, com o triplo dos lugares disponíveis, penso que não deveria levantar dúvidas a ninguém que ponha Vila Real em primeiro lugar.
Propor-se adquirir o terreno do Seminário por 600 000 euros, um espaço nobre que podia ser muito melhor valorizado, e fazê-lo de uma forma humilhante, disfarçada de grande oportunidade de negócio, só demonstra a falta de respeito pelas Instituições, ainda que às vezes bem disfarçada e embrulhada em embalagem de veludo.
Mas a nova concessão levanta ainda novas e preocupantes questões.
Deve ser esclarecido com clareza, que os 308 novos lugares criados à superfície não são novos lugares, são lugares já existentes que passam a ser tarifados.
Este aumento brutal dos arruamentos da cidade que passam a ter estacionamento tarifado, vem acrescentar naturalmente dificuldades aos moradores, uma vez que abrange essencialmente arruamentos com pouco comércio ou serviços.
Este aumento do parqueamento tarifado de superfície, aliado à hipoteca do parque da Avenida Carvalho Araújo e do parque do Seixo, propriedades da câmara municipal, por um período inconcebível de 30 anos, ao contrário de que se tenta fazer crer, é uma gestão ruinosa dos recursos, pelo menos para a CMVR, com a qual não concordo e para o que alerto.■


