Como normalmente acontece, também aqui, a falta de dinheiro não é o principal problema. Raramente a resolução de problemas pelas entidades públicas depende da falta de dinheiro, que também normalmente, serve de desculpa dos incompetentes ou das suas faltas de vontade. Como diz o nosso povo, a vontade move montanhas.
Vila Real tem obrigações para consigo própria e para com a região.
Fazendo parte das cidades servidas desde 1985 pela primeira linha aérea regional do Interior do país, foi desse modo pioneira e beneficiária dessa via descentralizadora.
O Município de Vila Real, que desde a primeira hora foi um dos impulsionadores dos transportes aéreos regionais, está desta vez muito aquém do que lhe é solicitado, e do que são as suas responsabilidades.
Dizer que não dispõe de 350 000.00€ (trezentos e cinquenta mil euros) para proceder à reparação da pista, chega a ser ridículo perante um orçamento municipal de 50 000 000.00€ (cinquenta milhões de euros).
O que deveria ter acontecido era a reparação imediata da pista, depois de estudada a situação. Não tenho dúvidas de que se tivesse havido vontade, ao fim de um mês o aeródromo estaria de novo operacional, mas não, tentou aproveitar-se a oportunidade para misturar a necessidade de reparação da pista, com a construção do Centro de Protecção Civil, que teve de sofrer uma significativa redução, relativamente ao programa inicial.
O que deveria estar a acontecer, era a criação de condições para a sua ampliação, que permitiria operações com aviões de maior capacidade para as linhas regulares e de aviões particulares para os milhares de pessoas que acorrem ao Douro, que na falta de melhores condições se ficam pelo Porto.
Naturalmente já deveria ter sido terminado o plano há muito idealizado e estar a tratar-se da sua implementação, procurando garantir o financiamento necessário.Vila Real, prestaria assim a si própria e à região a que pertence, um excelente serviço e cumpriria desta forma a sua missão e o desígnio na sua centralidade regional.
A tão propalada porta de entrada no Douro, não pode ser mais uma frase feita sem qualquer ligação à realidade.
A região do Douro existe e é antiga, e com a sua economia centrada no vinho e na vinha, necessita urgentemente de ser complementada com outras atividades de que se destaca o turismo.
O reforço de algumas dessas atividades e a criação de novas unidades hoteleiras, espalhadas por esta imensa e aprazível região Duriense, poderão ser da maior relevância para contrariar o seu esvaziamento e perda de população, que, infelizmente, tem vindo a acontecer.
O Aeródromo de Vila Real, com as condições de operacionalidade referidas, serviria a região e o concelho, e cumpriria a sua parte, na contribuição para as atividades económicas e fixação das nossas gentes, que, de outra forma, têm que inexoravelmente procurar outras paragens.

