Domingo, 19 de Setembro de 2021
Levi Leandro
Engenheiro. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Sei que não querem, mas a democracia tem regras

Defender e ficar do lado certo das causas é, de facto, muito difícil, até para aqueles que vivem da administração da Lei.

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No estádio do monte da porca, cheio de lugares vazios, o jogo segue quezilento e pouco atrativo, quando, numa jogada totalmente inofensiva, o lateral esquerdo Carvalho, dentro da sua área, entra a pés juntos sobre o avançado da equipa adversária, falta que justificava a amostragem de cartão vermelho direto. Sem se saber bem de onde, ouviu-se o grito “Penálti!”.

Cármen Alegria, juiz de campo, doutora em leis de “jogo”, hesitou, olhou na direção do local de onde surgiu o grito e, não vendo ninguém, fez vista grossa, mandando seguir o jogo sem assinalar qualquer falta. De imediato instalou-se a confusão, com os jogadores de ambas as equipas a rodearam a juiz.

De imediato, o centro campista Rui, exímio distribuidor de jogo, e capitão de equipa, aproveitou para, rapidamente, alterar a posição da linha de marcação da grande área e, dessa forma, justificar o não assinalar da falta máxima. Após concretizar tal propósito começou a gritar, negando a existência da infração e afirmando que o avançado caiu, porque tropeçou nos pés do lateral Carvalho, fazendo lembrar um tal Fernando de Canelas…. A gritaria era tanta que até parecia que a verdade do capitão Rui era maior que a verdade dos seus adversários.

A confusão estava instalada pelo que só restava recorrer ao VAR. Viveram-se momentos de grande tensão, até que o VAR confirmou a falta, que justificava a expulsão do esquerdo Carvalho, sendo necessário repor a linha de marcação da grande área na posição devida. O VAR assinalou o penálti que, convertido, confirmou a derrota da equipa do capitão Rui e no estádio, repleto de lugares vazios, ouviu-se um bruaá, do qual não se soube a origem.
Alguns comentadores de esplanada, doutores de leis, trataram logo de dissecar o caso, “conspirando”, sobre como contornar/violar a lei, para anular o castigo ao Carvalho, recuperar a Cármen Alegria e reabilitar o capitão Rui. Não tendo em atenção que, recentemente, o Clube, e vejam a ironia, foi-lhe atribuída a “bandeira da Ética”, por divulgar os princípios emanados pelo Plano Nacional da Ética no Desporto.

Outros doutores de leis e não só, alegavam que era necessário fazer cumprir a lei, mas que por motivos (in)confessáveis não poderiam “dar a cara”, as imagens dos jogos do Canelas do Fernando são elucidativas.

Também não se lembram, apesar de serem “doutores”…, que o Clube é uma Instituição com Declaração de Utilidade Pública desde 03/11/1987 e que, por essa circunstância, está obrigado a cumprir o estipulado em Diário da República.

Defender e ficar do lado certo das causas é, de facto, muito difícil, até para aqueles que vivem da administração da Lei. A impunidade não é só resultado da dificuldade em se obter justiça, é também consequência do efeito da profunda indiferença ou resignação com que assistimos à agressão e assalto das instituições. Um comportamento censurável, bem como a atitude daqueles que manifestam adesão cega aos mais estranhos e recentes “golpes” desesperantes do capitão Rui. Esta situação leva a que o comportamento da Alegria, do lateral esquerdo e do Capitão, origine que o funcionamento dos nulos, “órgãos sociais” do Clube sejam uma autêntica farsa, real.

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