Domingo, 19 de Abril de 2026
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“Sem o atual fluxo migratório o país não funciona”

No último “Contrasenso” da temporada, Cristina Passas, natural de Mirandela e presidente da Associação Internacional de Lusodescendentes (AILD), abordou a questão da imigração, considerando que “sem o atual fluxo migratório o país não funciona”.

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“Há muitos setores que, neste momento, dependem de mão de obra estrangeira”, refere, admitindo, contudo, que “há um fluxo migratório descontrolado”. A presidente da AILD lamenta que esteja a haver “um aproveitamento político” sobre o assunto, defendendo a necessidade de “criar soluções”, em vez de “se falar apenas do problema”.

No entender de Cristina Passas, “precisamos de um regime regulatório obrigatório e de um processo de legalização célere, para que as pessoas possam ser integradas na sociedade”.

Sobre este tema, Anabela Oliveira é da mesma opinião. “O controlo é fundamental, sobretudo, para o bem-estar destas pessoas. Para que não vivam em condições indignas ou caiam em redes de tráfico de pessoas”. Já Álvaro Ribeiro, em jeito de provocação, questionou se “teremos maus políticos”, tendo em conta que “não há uma visão global para o interesse do país”.

“Tivemos péssimas políticas de integração, isso posso afirmar”, afirmou Cristina Passas, acrescentando que “também a sociedade não é sensível a determinadas causas”. 

“A partir do momento em que o país tem medo da imigração é porque a sua estrutura é frágil, porque não percebe de que forma estas pessoas podem ajudar o país a desenvolver”, frisa.

Filha de pais emigrantes, Cristina Passas, que viveu parte da infância em França, sabe bem o que é estar longe de casa. Desde fevereiro que é presidente da AILD, ainda que seja uma das co-fundadoras desta associação, que tem como objetivo “apoiar as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo” e também “demonstrar o nosso orgulho por todas as culturas que se fazem em língua portuguesa”.

Sobre os emigrantes portugueses, Cristina Passas realça que, apesar de viverem fora do seu país, “continuam a ter um contributo muito importante para a nossa economia”, sobretudo quando vêm de férias. 

“A saudade, a nível económico, traduz-se na quantidade de enchidos, de azeite, de vinho que se leva no carro”, afirma, destacando, também, “o consumo de produtos portugueses lá fora, através dos supermercados locais”.

Cristina Passas abordou, no “Contrasenso”, os vários projetos da associação, entre eles uma revista e uma academia de ensino de português. O trabalho da AILD “tem sido reconhecido e valorizado pelas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo”, assume a responsável, lamentando, contudo, que, “por parte do governo português, até agora, não recebemos qualquer apoio. Sai tudo do nosso bolso”.

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