Sexta 13: do azar se fez boa fortuna

O evento realiza-se quando dita o calendário, por ano pode ser uma, duas ou três vezes. A próxima grande celebração será em junho.

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Seja qual for o mês, o resultado é sempre o mesmo: Montalegre fica a rebentar pelas costuras.

Aqui, a Sexta-feira 13 deixou há muito de ser um dia de azar e significa bem mais que uma superstição ou tradição.

Atualmente, esta verdadeira reinvenção das tradições populares da região é considerada um dos maiores e mais emblemáticos espetáculos de rua do país.

Na génese da Sexta 13 está a transmissão da cultura popular do Barroso, em especial nos serões longos de inverno, quando eram partilhados contos, lendas, histórias do arco-da-velha, lengalengas e trocadilhos, muitos que abordavam superstições ou magia.

A tradição oral que chegou até aos finais do século XX foi recuperada pelo Padre Fontes no início da década de 1980, nomeadamente a que estava ligada ao misticismo e superstição. Além de ter sido o mote para a criação do Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes, o dia do azar começou a ser celebrado em meados da década de 1990. Vai-se buscar a superstição que atribui ao número 13 o azar, e a má sorte das sextas-feiras, já que, como popularmente se diz, “às terças e sextas nem urdas a teia, nem cases a filha”.

Nos primeiros tempos, o evento juntava alguns restaurantes do concelho. O sucesso da iniciativa leva-a para a rua, com bruxas, demónios e outras figuras a invadirem o espaço público de Montalegre. Os comerciantes no centro da vila decoram os estabelecimentos a preceito, assumindo papel de figurantes.

É hoje um dos grandes cartazes turísticos de Montalegre e milhares de pessoas não perdem a “Noite das Bruxas”, pela animação, curiosidade e misticismo associados, que interessa não só a quem é supersticioso.

De outros tempos vem também o esconjuro recitado pelo mentor Padre Fontes, ao fazer a queimada, uma bebida feita ao lume e que tem por base aguardente, limão, maçã, canela e açúcar. É o ponto alto desta grande festa popular, seguido de fogo de artifício junto ao castelo.

Segundo o município, dados pré-pandemia indicavam que o evento representa um movimento de 1 milhão de euros nos fins de semana que correspondem à sexta-feira 13.

Na hotelaria e restauração não há, nessas alturas, mãos a medir, e as reservas de alojamento esgotam vários meses antes. Que o diga Ana Gonçalves, que já tem o alojamento em Paradela do Rio cheio. “Nas sextas-feiras 13, ficamos com a lotação esgotada. Vamos ter a próxima no mês de junho e já está tudo reservado, desde a última sexta 13 de dezembro”, conta. Isto porque quem veio na altura quis garantir um lugar para ficar. “Já me aconteceu ter pessoas a pedir por favor um quarto, nem que dormissem várias no mesmo”.

Nestes fins de semana há sempre muito movimento também no restaurante que tem. “É um evento muito importante, porque puxa muita gente e para os nossos estabelecimentos é muito bom”, acrescenta.

E não só no concelho, já que a procura de alojamento se estende aos concelhos vizinhos.

Estima-se que na última sexta 13 de setembro cerca de 50 mil pessoas tenham passado por Montalegre.

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