Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito?
Melhorar o acesso à saúde, garantindo respostas de qualidade, em proximidade e em tempo útil, pois o direito constitucional de proteção na saúde tem sido colocado em causa com o encerramento e afastamento de serviços. Resolver a grave crise no setor da agricultura e vitivinicultura, porque o setor primário é relevantíssimo para a região do ponto de vista social, económico e identitário e exige medidas concretas e urgentes.
A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. O que se pode fazer para combater este flagelo?
Aumentar a atratividade dos territórios do interior, disponibilizando mais serviços públicos de qualidade em proximidade, assegurando bom sinal de Internet e rede móvel, introduzindo novas formas de mobilidade como a ferrovia e melhorando as ligações de transporte público entre concelhos, apoiando a fixação de empresas e o empreendedorismo nestes territórios com medidas fiscais e outras, introduzindo incentivos para o regresso dos emigrantes, para a promoção da natalidade, com medidas de apoio às famílias, e para a criação de emprego. Só deixaremos de perder população se formos capazes de criar emprego para fixar e atrair jovens e adultos em idade ativa que possam desenvolver aqui os seus projetos de vida e cuidar dos idosos, hoje sozinhos.
Como atrair investimento para a região?
Captar investimento exige uma estratégia de promoção bem delineada, a cooperação de organismos e entidades nacionais e internacionais como AICEP e Embaixadas de outros países, incentivos fiscais e outros para quem crie empregos aqui, mas tudo isto exige investimento público prévio no reforço das soluções de mobilidade e acessibilidade, na infraestruturação, na disponibilização de serviços de educação, saúde, segurança e justiça de proximidade, pois um investidor aposta mais facilmente em territórios dotados de serviços que atraiam mão de obra qualificada.
Nos últimos tempos tem-se visto que a linha aérea tem uma grande importância para a região. Como impedir que esteja tantas vezes suspensa?
O Estado tem de cumprir os seus compromissos e zelar pelo interesse público. Se a linha aérea é considerada importante para a coesão e ligação direta à capital e garante uma deslocação rápida do interior Norte ao Centro e Sul de Portugal, deve assegurar-se a sua continuidade. Mas esta solução de mobilidade, pelo custo e número reduzido de lugares, não serve grande parte da população que não consegue pagar o valor da viagem e tem de fazer de autocarro percursos de 5, 6 e mais horas para chegar à capital, o que é inconcebível atualmente.
Deu entrada no Parlamento uma petição a favor da reabertura da Linha do Corgo. Acredita que o troço poderá reabrir? Se sim, de que forma e que mais-valias terá?
O CHEGA apoia essa petição e apresentou uma iniciativa nesse sentido já no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2025, mas foi chumbada com os votos contra do PSD e CDS e abstenção do PS, que têm sido incapazes de responder às necessidades deste território. Entendemos que o Plano Ferroviário Nacional deve garantir a ligação às capitais de distrito e que esta linha deve vir complementar a rede ferroviária, criando capilaridade e ligando os concelhos de Chaves e Vila Pouca de Aguiar a Vila Real e à Régua, facilitando, assim, a mobilidade dentro da região e entre esta e o resto do país e da Europa, com ligação à ferrovia espanhola. As mais-valias serão evidentes, para estudantes, profissionais, turistas, mercadorias… Quanto ao traçado, deve analisar-se do ponto de vista técnico, do interesse turístico e da segurança e rapidez, se pode manter-se ou se deve sofrer algumas alterações pontuais, adequando-o às capacidades e exigências atuais.




