Para uns, são essenciais para consolidar aprendizagens e desenvolver autonomia. Para outros, representam uma sobrecarga desnecessária numa rotina já exigente para as crianças e jovens. Afinal, os TPC continuam a fazer sentido nos dias de hoje?
Em Portugal, o debate não é novo. Em 2016, um estudo do projeto aQeduto, apoiado pelo Conselho Nacional de Educação, revelou que os alunos portugueses dedicavam, em média, quatro horas semanais aos trabalhos de casa. O valor colocava Portugal acima da Finlândia, com cerca de três horas, e abaixo de países como Espanha, Irlanda e Polónia, onde os alunos chegavam às sete horas semanais.
Para muitos docentes, os TPC continuam a ter um papel importante no processo de aprendizagem. Joana Santos é nova nestas andanças. Formou-se recentemente na UTAD, onde estudou Educação Básica, com formação para primeiro e segundo ciclo de matemática e ciências naturais. Atualmente, dá explicações de matemática a alunos do 2.º ciclo e considera que os trabalhos de casa podem ser benéficos, desde que exista equilíbrio.
“Sou apologista dos trabalhos de casa, mas acho que não é necessário enviar todos os dias”
JOANA SANTOS
PROFESSORA
“Sou apologista dos trabalhos de casa, mas acho que não é necessário enviar todos os dias. Os alunos ficam sobrecarregados porque não têm apenas uma disciplina para estud ar, mas várias. Os TPC ajudam a consolidar aprendizagens e permitem aos professores perceber onde surgem mais dúvidas, mas quando são excessivos acabam por desmoti varos alunos”, afirma.
E dá o exemplo de um aluno com quem trabalha, que recebe diariamente exercícios do manual e do caderno de atividades. Segundo explica, quando chega a altura dos testes, “sente dificuldades em estudar porque já fez os exercícios todos”.
“Quando é para estudar para o teste, ele não tem por onde estudar porque já tem tudo feito. Nem todas as famílias conseguem comprar materiais extra. Muitas vezes os alunos acabam por repetir exercícios apenas porque não têm outras alternativas”, vinca.
Além da quantidade, Joana Santos defende que os TPC deveriam acompanhar os interesses das novas gerações.
“Hoje em dia os trabalhos de casa também deviam incluir mais pesquisa, tecnologia e atividades mais dinâmicas. Não devia ser só responder a perguntas. Os alunos gostam de explorar e construir as próprias aprendizagens.”
PRÓS E CONTRAS
Também os especialistas alertam para os riscos do excesso de trabalhos de casa. O psicólogo Júlio França considera que os TPC podem trazer benefícios, sobretudo ao nível da autonomia e da responsabilidade, mas acredita que, em excesso, prejudicam o desenvolvimento das crianças.
Segundo o especialista, o excesso de tarefas pode limitar o tempo de brincadeira livre, considerado essencial nasidades mais precoces. Além disso, muitos pais chegam tarde a casa e acabam por transformar os TPC num momento de stress familiar.
O psicólogo chama ainda a atenção para a sobrecarga horária dos alunos. Entre escola, atividades extracurriculares, centros de estudos e explicações, muitas crianças passam grande parte do dia ocupadas, sobrando pouco tempo para descanso e convívio familiar.
A verdade é que a discussão está longe de r eunir consenso. Enquanto uns defendem os TPC como uma ferramenta importante de aprendizagem, outros acreditam que é necessário repensar o modelo atual, adaptando- o às necessidades e interesses dos alunos de hoje.






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