Em funções há cerca de um ano como diretor, Humberto Nascimento sublinha que a atual realidade do agrupamento não é encarada como um obstáculo, mas como uma oportunidade de reforçar o acompanhamento individualizado.
“Somos, como costumo dizer, uma família. O facto de termos menos alunos permite conhecer melhor cada um e responder de forma mais ajustada às suas necessidades”, refere o responsável.
Com 458 alunos, o agrupamento regista indicadores de sucesso escolar considerados muito positivos, com uma taxa de retenção inferior a 1%. Cerca de seis dezenas de estudantes beneficiam de medidas de apoio seletivas e adicionais, estando integrados em contexto de turma e alcançando, segundo a direção, percursos de sucesso académico, muitos com continuidade no ensino superior.
A aposta na inclusão é acompanhada por uma forte dinâmica de atividades de enriquecimento curricular. Teatro, cinema, música, clubes de ciência e arte e uma orquestra em funcionamento desde 2012 fazem parte de uma oferta educativa que pretende ir além da sala de aula.
Para a direção, a escola deve ser também um espaço de motivação e bem- estar. “Queremos que os alunos gostem de vir à escola e que aprendam num ambiente positivo e estimulante”, sublinha Humberto Nascimento.
No ensino secundário, o agrupamento mantém a oferta de cursos científico-humanísticos de Ciências e Tecnologias e de Línguas e Humanidades, assegurando a continuidade dos estudos para a maioria dos alunos.
Em paralelo, prepara a abertura de dois cursos profissionais no próximo ano letivo, nomeadamente desporto e eletrónica e automação. Estas opções surgem alinhadas com a procura dos alunos e com as necessidades do tecido económico regional, com o diretor do agrupamento a dar conta que os cursos profissionais apresentam taxas de empregabilidade e de acesso ao ensino superior superiores a 80%.
O agrupamento integra o programa TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), o que permite reforçar respostas pedagógicas diferenciadas, como tutorias e turmas de apoio, adaptadas ao ritmo de aprendizagem dos estudantes.
Outro eixo estruturante da estratégia educativa passa pela abertura da escola ao exterior. Só no presente ano letivo foram realizadas cerca de 60 visitas de estudo, “ como forma de promover o contacto com contextos culturais, científicos e desportivos fora do concelho”.
“Queremos formar cidadãos ativos, capazes de sair daqui e integrar o mundo com sucesso”, afirma o diretor, destacando também o acompanhamento de antigos alunos, hoje presentes em universidades, centros de investigação e diversas áreas profissionais.
Num contexto marcado por desafios estruturais do interior do país, o Agrupamento de Murça procura afirmar-se como um exemplo de escola de proximidade, onde o sucesso académico se conjuga com a formação integral dos alunos.





