Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2023
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Trás-os-Montes produz 44% da energia hídrica do país

Os distritos de Bragança e Vila Real são responsáveis pela produção de praticamente metade da energia hídrica no país.

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Segundo dados da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), em 2021, as barragens da região produziram cerca de 5,1 TWh (3,7 TWh produzidos nas barragens do distrito Bragança e 1,4 TWh nos empreendimentos hidroelétricos do distrito de Vila Real), sendo que, no total nacional, a produção rondou os 11,5 TWh.

A produção hídrica no ano passado representou, no total, 40,7% da energia produzida a partir de fontes renováveis. Segundo Rui Cortes, Professor Catedrático da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), e especialista na área dos Recursos Hídricos e Ecologia Aquática, “a bacia do Douro é a que tem maior produção de energia hidroelétrica do país”, um potencial que aumentou ainda mais com as barragens do Baixo Sabor e de Foz Tua, e, mais recentemente, com as três barragens do Alto Tâmega, estando a de Daivões e a de Gouvães já em funcionamento, além de se ter de considerar “também um número apreciável de mini-hídricas”.

SECA DIMINUI PRODUÇÃO

Ainda que a energia hídrica represente, atualmente, 45,6 % da capacidade renovável instalada em Portugal, sendo a tecnologia com maior representatividade (com 7410 MW em 16 259 MW), a verdade é que este ano se regista uma diminuição da produção a partir desta fonte, devido à seca extrema que o país viveu e às restrições impostas, tendo algumas barragens sido impedidas de produzir energia durante alguns meses, para garantir reservas para o consumo humano e de animais. Cenário a que se juntaram “apreciáveis reduções de caudal nas bacias internacionais, porque Espanha tem libertado muito menos água e isso afeta muito as barragens do Douro, que são de fio de água”, destaca o também membro do Conselho Nacional da Água.

A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) reconhece “uma quebra significativa da produção de eletricidade com base em fonte hídrica, com 11% da energia produzida até setembro, ao passo que em 2021, para o mesmo período (janeiro a setembro), o valor era de 28%”.

No relatório rápido mensal mais recente da DGEG também é descrito que se “constata uma descida de 16%, na produção de origem FER (Fontes de Energia Renováveis) no ano móvel de setembro de 2022, relativamente a 2021, tendo a produção hídrica descido 44%”.
Ainda assim, a APREN considera que “na esmagadora maioria dos últimos 21 anos, as centrais hidroelétricas tiveram um impacto significativo e positivo, no mix de eletricidade português”.

PAPEL ESTRATÉGICO

A entidade argumenta que “as centrais hídricas têm uma importância estratégia para a segurança do abastecimento, sobretudo as centrais reversíveis”, ou seja, aquelas que têm capacidade de bombagem para montante, com “grande flexibilidade de operação”, já que podem “reagir rapidamente a variações do consumo ou da produção”. Os aproveitamentos hidroelétricos do Baixo Sabor são ambos reversíveis, tal como acontece com as barragens de Daivões e Gouvães, isto é, “turbinam durante o dia e durante a noite há uma bombagem para montante e, assim, existe um reaproveitamento da mesma água”, explica Rui Cortes. Estas, tal como outras barragens que têm vindo a ser melhoradas em termos de produção de energia hidroelétrica, têm sido transformadas em barragens reversíveis e isto “traz um acréscimo apreciável de produção de energia”.

©DR

O professor da UTAD também reconhece que, mais do que a percentagem para o total de produção da energia, entre os 13 e os 15% em média, a importância das hidroelétricas passa pelo papel em termos estratégicos. “A energia hidroelétrica é aquela que melhor responde aos picos de pressão de consumo na rede. Por exemplo, no fim da tarde ou a meio da manhã, que são alturas típicas de elevado consumo, existe uma turbinagem das águas das hidroelétricas e, portanto, há uma resposta ao consumo na rede, sem que haja uma interrupção de fornecimento de energia. Esta produção de energia hidroelétrica responde mais rapidamente a estas tensões na rede do que qualquer outra forma de energia”, explica.

Assim, quando, por exemplo, no inverno, as pessoas chegam a casa e ligam os aquecedores, as barragens “respondem imediatamente” ao aumento de consumo na rede elétrica, já que “estão todas ligadas em rede e começam a turbinar”, o que não acontece com outras formas de energia, “mesmo com o carvão ou outros combustíveis fósseis, nem com a eólica ou solar”, impossível de determinar, porque dependem dos ventos e da exposição solar.

IMPACTO ECONÓMICO

Ainda que a APREN não consiga determinar o impacto económico dos empreendimentos hidroelétricos para a região, segundo o estudo “Impacto da eletricidade de energia renovável”, a hídrica foi a segunda energia limpa que mais contribuiu para o PIB nacional, num total de 1.357 milhões de euros.

As hídricas representam investimentos avultados, “mas, posteriormente, o impacto a nível da criação de posto de trabalho é pequeno”, considera Rui Cortes. “Na apresentação pública da barragem de Foz Tua falou-se que o empreendimento podia dar emprego a três ou quatro mil pessoas, mas isso verificou-se durante o período de construção. Depois é mão-de-obra que desaparece completamente quando as barragens começam a produzir”, refere.

Há algumas décadas, as barragens tinham um número de trabalhadores considerável, porque havia muitos controlos manuais, “agora, quer as grandes barragens, quer as mini-hídricas, estão todas ligadas à Rede Elétrica Nacional, são controladas quase automaticamente e a interferência humana é muito reduzida, praticamente só quando é preciso libertar mais ou menos água, dependendo do preço da energia” e, desta forma, “a mão-de-obra é mínima”, estando afeta a obras de manutenção.

“Mesmo aquela ideia de que as barragens do Sabor e de Foz Tua iam atrair investimentos avultados, isso não se tem verificado”, sublinha o professor da UTAD, que sustenta que “os empreendimentos poderiam ter algum benefício em termos turísticos, mas de facto têm sido muito escassos”.

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