Quinta-feira, 7 de Julho de 2022
Victor Pereira
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Um Novo Paradigma Para a Catequese

Quando os bispos portugueses foram a Roma em setembro de 2015, O Papa Francisco deixou uma grande recomendação: «Ao catequista e à comunidade inteira é pedido para passar do modelo escolar ao catecumenal: não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde.»

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A escolarização da catequese, com a «redução da catequese a um encontro semanal, por vezes em apertados horários pós-escolares e a par ou mesmo em concorrência com atividades formativas ou recreativas talvez mais aliciantes; uma calendarização idêntica à da escola, com os catequizandos ausentes das maiores celebrações, como as da Páscoa e do Natal, por se realizarem em tempo de férias; a instrumentalização das celebrações ao longo do percurso catequético, incluindo a do Crisma, para segurar os catequizandos até, uma vez crismados, deixarem a Igreja como deixam a escola; a linguagem usada, predominantemente escolar – “matrículas”, “exames” “aulas”, “alunos” e a identificação destes por anos, como na escola», foi um caminho errado. 

A escola seguirá o seu ritmo e o seu caminho e a catequese terá de encontrar outra configuração, outro ritmo e outro caminho, apostando no modelo catecumenal, isto é, um modelo que não aposte só na transmissão de fórmulas, verdades, conceitos, ideias e conhecimentos sobre Deus, religião e a Bíblia, mas se centre, sobretudo, na experiência e na vivência da fé, na relação e no encontro com Deus, formando todas as dimensões do crente e possibilitando uma adesão livre e madura de seguir Jesus Cristo e fazer parte da Igreja.

O fim da catequese não é fazer sabichões de doutrina ou dum catecismo, como quem aprende uma tabuada, mas formar discípulos, pessoas que de verdade assumem a fé, que vivem o que aprendem, comprometidas, dispostas a caminhar na fé, numa relação convicta e madura com a Cristo e com a Igreja, na resposta a um chamamento permanente. E o catequista não é um mestre ou um professor de fé e religião, que passa conteúdos. É uma testemunha, que ensina não só o que sabe, mas sobretudo o que vive e experimenta, como aquele que acompanha um processo de iniciação, como alguém que é um mediador, um facilitador do encontro do catequizando com Deus. 

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