Terça-feira, 27 de Setembro de 2022

Vila-realense envolvido na criação de uma vacina diferenciadora

Bruno Santos, natural de Vila Real, é o diretor executivo da Immunethep, empresa de biotecnologia portuguesa que está a desenvolver uma vacina por inalação e que não precisa de um profissional de saúde para a administrar

-PUB-

Com sede em Cantanhede, no distrito de Coimbra, a Immunethep foi criada com base numa investigação da Universidade do Porto, “que visava combater as infeções bacterianas e não víricas”, estando já há seis anos, “sensivelmente”, a trabalhar no desenvolvimento de terapias e imunoterapias.

Artigo exclusivo PREMIUM

Tenha acesso ilimitado a todos os conteúdos do site e à edição semanal em formato digital.

Se já é PREMIUM,
Aceda à sua conta em

“Nos últimos anos, o nosso trabalho baseou-se no desenvolvimento de uma vacina antibacteriana, capaz de prevenir infeções de cinco bactérias diferentes conhecidas pela sua resistência aos antibióticos, chamadas de superbactérias, e de uma terapia para, quando não é possível prevenir, tratar substituindo aquilo que é feito com os antibióticos, evitando os problemas de resistência aos mesmos”, começou por explicar Bruno Santos, diretor executivo da Immunethep que, em maio de 2020, arrancou com o desenvolvimento de uma vacina no sentido de “ajudar neste esforço global de resolver o problema da SARS-COV 2”.

Mas esta vacina que está a ser desenvolvida pela empresa portuguesa de biotecnologia difere daquelas já disponibilizadas no mercado. É administrada por inalação, o que, segundo Bruno Santos, garante uma maior imunidade, apenas sendo similar nas duas doses que são necessárias, “com um intervalo detrês semanas”.

“A forma como ela é administrada é importante para o tipo de imunidade que nós conseguimos. Uma vacina que é administrada por via venosa, intramuscular, com uma seringa, causa uma proteção de anticorpos pelo corpo todo, mas sem haver nenhum local onde seja especialmente forte essa imunidade. No caso de ser inalada, temos aqui um aumento da imunidade, ou seja, dos anticorpos nos pulmões que é a zona que o vírus privilegia para entrar”, referiu o engenheiro biológico, acrescentando que a administração desta vacina tem a vantagem de não necessitar de qualquer profissional de saúde para a administrar.

 


PERFIL
Bruno Santos
Idade: 44 ANOS
Naturalidade: Vila Real
Profissão: Engenheiro biológico

“Temos um dispositivo de administração da vacina parecido com uma bomba que é utilizada por asmáticos. As pessoas, sozinhas, conseguem preparar o dispositivo, fazer a inalação e vacinar-se”.

O engenheiro biológico explicou ainda que, ao contrário de outras farmacêuticas e empresas similares, a Immunethep utilizou “o vírus como um todo”, permitindo uma maior proteção relativamente às mutações que o mesmo vai sofrendo ao longo do tempo.

“As vacinas que estão a aparecer agora apenas estão a direcionar a resposta com uma pequena amostra do vírus, a proteína do espigão, em termos gráficos, os picos. É a partir daí que o reconhecem e o desbloqueiam, mas o que estamos a ver é que a maior parte das mutações que causam as variantes que têm surgido estão exatamente aí, o que leva a que algumas vacinas deixem de funcionar para determinada mutação”.

“SEM DINHEIRO NÃO AVANÇAMOS NO PROCESSO”

Neste momento, a Immunethep está a fazer os ensaios pré-clínicos, ou seja, “os testes de eficácia e segurança”, em animais, estando à espera de validação “para pegar nesses resultados e começar a fazer o mesmo em humanos.”

Bruno Santos acredita que a vacina desenvolvida pela sua empresa poderá estar no mercado em 2022, mas para isso é preciso um investimento de 20 milhões de euros por parte do estado para que o processo de aprovação seja mais célere, dando o exemplo dos governos americano e alemão que colocaram à disposição verbas de milhões de euros a farmacêuticas e empresas da especialidade, que permitiu o desenvolvimento rápido das vacinas que já se encontram a ser administradas.

“Há privados que querem investir, mas devido à dimensão do investimento, até conseguirmos reunir os 20 milhões de euros que precisamos para o desenvolvimento da vacina, vai demorar tempo. Se o Estado pudesse ajudar, aceleraria o processo e permitia-nos colocar a vacina no mercado mais rápido”, referiu o engenheiro vila-realense, revelando que decorrem “conversações” com o Governo.

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

COMENTAR FACEBOOK

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.