Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2024
No menu items!

“61% do eleitorado tem os seus rendimentos diretamente dependentes do Estado”

A estrutura demográfica e social do país tem mudado muito ao longo das últimas décadas, refletindo-se também no perfil do nosso eleitorado.

-PUB-

61% do eleitorado português tem os seus rendimentos diretamente dependentes do Estado, mais 27 pontos percentuais do que se verificava em 1980. O país está mais envelhecido e, embora isso não explique tudo, hoje a maioria dos adultos portugueses vive na dependência do Estado. Isto tem diversas implicações relativamente às prioridades de quem nos governa e colocando em causa muitas das reformas necessárias para o nosso país.

Em 1980, de acordo com os cálculos de Vítor Bento, economista e atual Presidente da Associação Portuguesa de Bancos, 34% da população adulta portuguesa tinha rendimentos dependentes do Estado, sobretudo pensionistas (25%), seja da Segurança Social (SS) ou Caixa Geral de Aposentações (CGA), e funcionários públicos (7%), seja das Administrações Públicas (AP) ou do Setor Empresarial do Estado (SEE).

Em 2022, a realidade é muito diferente. Usando a mesma metodologia de Vítor Bento, verificamos que 61% dos adultos portugueses tem rendimentos dependentes do Estado, seja este o pagador direto dos mesmos (50%), seja o decisor do rendimento pago pelo setor produtivo (11% recebe salário mínimo, fixado pelo Estado).

A população está mais envelhecida e, naturalmente, os pensionistas continuam a ser o grupo maioritário (35%), mas o seu peso no total de dependentes até diminuiu. Em 1980 era de 71% e em 2022 tinha baixado para 58%. Ou seja, o aumento da dependência do Estado vai para além do envelhecimento populacional. Os funcionários públicos pesam hoje 11% no total da população adulta portuguesa, 3% recebem o Rendimento Social de Inserção (RSI), que não existia em 1980, e 11% recebem o Salário Mínimo Nacional (dependentes indiretos do Estado que representavam apenas 2% da população adulta em 1980). O peso dos beneficiários do Subsídio de Desemprego continua a ser residual, próximo de 1%, tanto em 1980 como em 2022.

Reformar o país é fundamental, desde a saúde, educação, justiça, segurança social, economia e fiscalidade, entre outras áreas. Mas o atual perfil do eleitorado conduz a outras legitimas pressões sobre os decisores políticos que nem sempre são facilmente conciliáveis com a implementação das reformas necessárias. Um desafio difícil que tem conduzindo a um excessivo imobilismo que coloca em causa a competitividade do país.

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEOS

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.