De seu nome, José Manuel Guedes Ferreira.
O Futebol e mais concretamente a Nobre Causa da Arbitragem, haveriam de lhe seduzir a Personalidade, inflexível e corajosa quanto baste.
Recordo-me, como seu contemporâneo, que quando ele começava a dar os seus primeiros passos, na referida Causa, filiado no Conselho de Arbitragem (C.A.), da Associação de Futebol de Vila Real, chegou a tocar a campainha de alerta em certas áreas geográficas, “onde o sentimento de inveja toca aqueles que sobem” (saudoso Francisco Guerra – antigo árbitro Internacional da A.F. Porto).
Certo dia, e fruto da simpatia que eu nutria por este homem de Boa Vontade, convidei-o a acompanhar-me até Terras do Alto Douro, para assistir a um jogo de subida de divisão, para o qual a minha equipa havia sido designada.
Tendo em conta uma indisposição de última hora, fiquei impossibilitado para dirigir tal partida, pelo que quem melhor que o meu convidado, para o fazer, mas, eis que o pior estava para acontecer, uma vez que quando restavam apenas alguns minutos para terminar o jogo, ele começou a ter sérias dificuldades em acompanhar as jogadas, situação esta que se agravou ao ponto de reduzir o seu raio de ação apenas ao circulo central.
Finalmente, o tempo de jogo havia-se esgotado e, José Guedes, depois de dar o mesmo por terminado, encaminhou-se, com visível sofrimento estampado no rosto, para os balneários, sendo amparado por mim e pelos seus auxiliares – Justino Campos e Maurício Santos, tendo seguido de imediato para o estabelecimento hospitalar mais próximo, onde lhe haveria de ser diagnosticada uma fratura do fémur.
Depois de várias vicissitudes para ultrapassar a malapata que inesperadamente o apoquentara, foi dado como “Inapto”, para continuar a defender a Causa que tão abnegadamente abraçara. Terminara de forma prematura e deveras inglória a sua carreira de Árbitro de Futebol.
Há males que vêm por bem “diz o Povo na sua imensa Sapiência”.
José Guedes, haveria de colaborar na redação e aprovação dos primeiros estatutos do Núcleo de Árbitros de Futebol “Henrique Silva – Vila Real”, e fez parte dos primitivos órgãos do referido Núcleo na qualidade de Vice-presidente.
José Guedes, foi também Delegado Técnico filiado na A.F.V.R., tendo inclusive sido proposto para o quadro nacional…
Após a sua desdita, esta carismática figura, concluiu um curso superior, chegou a lecionar e, nos tempos que correm, desempenha o cargo de grande responsabilidade, numa unidade de saúde da cidade de Vila Real.
Eu que o conheci, conheço, e Deus permita que continue a conhecer por muitos e felizes anos, tenho, certamente em concordância com muitas outras pessoas, um sincero sentimento:
Bem Haja, José Guedes!