Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A Minha Quarentena

Vou lendo alguns artigos e entrevistas na imprensa e na internet de psicólogos e psiquiatras, manifestando a sua preocupação pelo estado psicológico em que se encontrarão muitos pessoas, pelo facto de terem quebrado as suas rotinas, de estarem confinadas em casa e de começarem a passar por dificuldades económicas. Preocupam-me as pessoas idosas que vivem […]

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Vou lendo alguns artigos e entrevistas na imprensa e na internet de psicólogos e psiquiatras, manifestando a sua preocupação pelo estado psicológico em que se encontrarão muitos pessoas, pelo facto de terem quebrado as suas rotinas, de estarem confinadas em casa e de começarem a passar por dificuldades económicas. Preocupam-me as pessoas idosas que vivem sozinhas, que poderão estar a passar por uma solidão muito penosa e as famílias que estão sem rendimentos. Temos uma rede de instituições que já estão a fazer um bom trabalho neste campo, mas a solidariedade de todos é fundamental. 

Para mim, a quarentena não está a ser custosa. Sinto falta do trabalho pastoral, da proximidade junto das pessoas e do encontro comunitário, é verdade, mas nunca senti um profundo abatimento ou qualquer sintoma depressivo. Como padre, já passava muito tempo só, no bom sentido da palavra, a solidão criadora que Leonardo da Vinci reclamava para si, de forma que vejo a quarentena como um sucedâneo da minha vida habitual, embora um pouco mais pesada. Para aqueles e aquelas que possam estar a passar pelo desespero, a angústia e a depressão, deixo alguns conselhos para passarem uma boa quarentena, à volta de duas palavras: organização e motivação. 

1. Definir um programa para cada dia e cumpri-lo com disciplina. Ter hora para levantar e deitar, dormir o estritamente necessário. A preguiça é muito manhosa e má conselheira. 

2.  Ter momentos de oração ao longo do dia, sem pressa. Não prescindir do terço e da missa diária. 

3. Dedicar duas horas todos os dias para ler um bom livro ou a imprensa (até um pouco mais). 

4. Fazer sempre um pouco de desporto, seja caminhar, correr, bicicleta ou pequenos exercícios em casa. Quem está no campo terá, certamente, mais facilidades. Como sabemos, o desporto traz muitos benefícios físicos e psicológicos. 

5. Um dos mais importantes para mim é este: aprender sempre algo de novo todos os dias, seja manusear melhor um programa, uma aplicação de telemóvel, ler um bom artigo de fundo, ver um bom documentário, aprofundar um tema, aprofundar um instrumento musical, aprender uma música nova, vocabulário, etc. Gostar de aprender e ter curiosidade intelectual é um grande antidepressivo. 

6. Dedicar uma hora para me inteirar dos paroquianos e acompanhar o meu trabalho paroquial. 

7. Interagir com os outros nas redes sociais e colaborar nas tarefas domésticas. 

8. Escrever. 

8. Ouvir boa música. A música é fonte de prazer, de vibração, paz e emotividade.

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