Sábado, 16 de Outubro de 2021
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A música! Catedral de vida e oração

A música é o elo de união por excelência entre os povos. E nunca o mundo precisou tanto da harmonia dos sons e do fascínio que eles exercem na condução dos senhores do mundo. A música é som que pode viajar infinitamente pelo universo. O simples facto de usarmos instrumentos musicais para criarmos sons e […]

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A música é o elo de união por excelência entre os povos. E nunca o mundo precisou tanto da harmonia dos sons e do fascínio que eles exercem na condução dos senhores do mundo.

A música é som que pode viajar infinitamente pelo universo. O simples facto de usarmos instrumentos musicais para criarmos sons e sentirmos diferentes vibrações, é algo que o torna espiritualmente elemento vivo e porque não, sagrado.

Alguns acreditam que o som na sua vibração misteriosa é a própria Voz de Deus. Acredito e entendo o mundo de uma forma espiritual. Não sou cientista e não sei se as minhas capacidades vêm do meu ADN, mas acredito que a harmonia cósmica é a própria harmonia dos sons pela voz se um ser supremo em límpido murmurar de oração. A música que na sua beatitude embalada, constrói firmamentos com os sons das estrelas…

Trabalhei imenso para ser o melhor profissional possível e compreender a essência da música, mas a motivação para tocar e cantar, esteve sempre dentro de mim. E pode muito bem ter vindo dos sons que em pequenino ouvia quando os meus irmãos tocavam em casa. Eu sabia que o meu avô e bisavô adoravam música, por ela se sacrificaram e eu através dela queria estar com eles, participar na festa da família.

Acredito que espiritualmente os sons correm dentro de mim por causa dos meus antepassados. Ela torna qualquer ser humano mais forte e mais introspetivo dos grandes valores da vida.

Se não soubermos de onde vem a música e não entendermos, as pessoas que a criaram e a situação em que surgiu, como poderemos participar? É como termos uma família e não sabermos nada dela nem sequer o nome dos seus elementos. Os que viveram antes de nós e construíram os alicerces para aquilo que hoje somos como artistas, ou simplesmente pessoas humanamente evoluídas, essas merecem todo o nosso respeito. Devemos, por isso, colocá-las sempre acima dos nossos sucessos. 

Pela música sentimos a torrente da saudade agarrados na vertigem da luz e do sofrimento. Pela música somos a contemplação num tempo sem idade, somos a dor, o rio que corre nas sombras do vento, somos a semente das noites e da terra de ninguém. Somos a cor do céu ao entardecer, somos os campos de flores amadurecidas, somos a herança das dores sofridas. 

Somos o tempo correndo a passar, somos sorrisos guardados de crianças serenas que lançadas em cânticos de procissão nos oferecem flores lindas de açucenas. Os anjos gostavam de música, cantavam-na pela palavra redentora e sagrada. E assim os homens se tornavam mais iluminados. Mais entregues à oração pela harmonia da arte das Musas inspiradoras.

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