Sexta-feira, 22 de Maio de 2026
RegiãoA vida das freguesias entre o plenário da aldeia e a multidão da cidade

A vida das freguesias entre o plenário da aldeia e a multidão da cidade

A União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, presidida por Telmo Afonso, tem o maior número de habitantes de toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, enquanto a freguesia de Tourém tem apenas 131 habitantes. Duas realidades diferentes para presidentes de junta de freguesia com o objetivo de dinamizar os seus territórios

Telmo Afonso preside à União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, em Bragança, que contava com 22.689 habitantes nos censos de 2021. Nas últimas autárquicas, eram 20.656 os eleitores inscritos neste território, o mais populoso de toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Uma imagem diferente daquela que se vive em Tourém, Montalegre, onde estavam inscritos 194 eleitores no último sufrágio para o poder local.

O número de habitantes na maior freguesia do distrito de Bragança é visto como uma oportunidade para o seu presidente de junta. “Queremos ter gente no nosso interior tão despovoado”, assume Telmo Afonso, acrescentando que “quantas mais pessoas tivermos melhor”.

O brigantino, que já presidiu a outra junta de freguesia, consideravelmente menos populosa, admite que a exigência ao órgão mais próximo da população não é determinada pelo número de habitantes. “Menos ou mais habitantes é relativo. As freguesias, como já disse algumas vezes, nem são pequenas, nem grandes, o que podem ser pequenas ou grandes são as atitudes que tomamos enquanto autarcas”.

‘“Trabalhamos com todos, quer sejam imigrantes, quer sejam naturais da freguesia”
Telmo Afonso
Pres. UF Sé, Santa Maria e Meixedo

Por isso, lida “bem com muitos eleitores” numa união de freguesias que recebe muitos estrangeiros, fruto do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). “Aqui trabalhamos com todos, quer sejam imigrantes, quer sejam naturais da freguesia”, diz Telmo Afonso, recordando que apesar de algumas freguesias do concelho terem perdido população, a união que lidera “tem ganho população, provavelmente não quanto queríamos ganhar, mas tem”.

Estando no centro da cidade, com muitos alunos estrangeiros, algum do trabalho da junta de freguesia passa por atestar a residência “para muitos destes jovens que estão cá a estudar, uma vez que a  AIMA (Agência para a Integração Migrações e Asilo) solicita muitos documentos. Temos colaborado muito bem com o IPB e com os alunos que estão cá matriculados”, destaca.

Apesar de ser presidente da união de freguesias com mais habitantes de toda a região, Telmo Afonso salienta que, no último congresso da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), apresentou uma “moção que reivindica o aumento do Fundo de Financiamento de Freguesias”, para que as juntas possam, pelo menos, equilibrar as contas, face ao aumento do salário mínimo nacional para os seus trabalhadores.

Espanha tão perto

A freguesia de Tourém, no concelho de Montalegre, é hoje uma pequena comunidade raiana com cerca de 80 habitantes “a dormir de segunda a segunda”, sublinha Maria Leonor Vila, presidente da junta de freguesia. O número de eleitores inscritos para as últimas autárquicas não foi suficiente para permitir o voto em urna, por isso acabou por ser eleita em plenário. “Na altura em que fecharam os cadernos eleitorais não tínhamos eleitores suficientes, porque alguns reformados ainda não tinham regressado à aldeia”, explica a autarca, acrescentando que, apesar do modelo diferente, o processo democrático tem decorrido com normalidade. “Convoco as pessoas, coloco o edital, comunico e fazemos o plenário. O importante é o voto e a aldeia”.

“Sou um bocadinho enfermeira de toda
a gente”
Maria Leonor Vila
Pres. Junta de Freguesia de Tourém

Enfermeira de profissão, Maria Leonor Vila é próxima da população. “Sou um bocadinho enfermeira de toda a gente”, diz, sublinhando que numa freguesia envelhecida essa proximidade acaba por ser inevitável.

Mesmo com poucos habitantes, Tourém procura manter dinâmica e identidade própria. A freguesia aposta em rotas pedestres, como a rota do contrabando ou a rota dos passarinhos, e preserva tradições como o Entrudo com o “felipeiro”, figura “toda tapada com uma renda”, explica a presidente da junta. Além disso, a autarca implementou “hidroginástica para os mais velhos circularem, porque senão param e é um problema”. Tendo de ir para a sede de concelho, o transporte é feito por “um autocarro que leva as crianças todos os dias para escola e, então, um dia por semana vão todos juntos”. Desta forma, mais novos e mais velhos partilham o mesmo destino.


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