Aos 64 anos, o antigo funcionário da Câmara Municipal de Peso da Régua faz hemodiálise, tratamento que o acompanha desde cedo, depois de uma infeção grave ter afetado os rins. Pelo caminho, fez dois transplantes, passou por internamentos sucessivos e enfrentou inúmeros problemas de saúde. Agora, depois de uma amputação acima do joelho e de várias complicações recentes, é a filha, Romina Sebastião, quem trava uma batalha diária para lhe devolver dignidade e qualidade de vida.
“Desde que me conheço, o meu pai sempre fez hemodiálise”, conta Romina. “A vida dele sempre foi pautada pela hemodiálise e por tentar ser saudável dentro do possível.” Apesar das limitações, José Espírito Santo trabalhou mais de 25 anos ao serviço da autarquia reguense, conciliando períodos de trabalho com tratamentos constantes.
Nos últimos anos, porém, o estado de saúde agravou-se. Primeiro surgiram dois enfartes oculares, que lhe reduziram drasticamente a visão. “Houve uma altura em que ele só via vultos”, recorda a filha. Depois apareceram dores intensas numa perna. Um dia caiu em casa depois de a perna “lhe falhar”. Foi transportado para o hospital e nunca mais regressou à rotina de antes.
Este seria o início de um período muito conturbado na vida de José Espírito Santo.
Meses internado
“A perna começou a ficar preta, gelada, morta”, descreve Romina, ainda emocionada com as memórias daqueles dias. Apesar das tentativas da equipa médica de cirurgia vascular para salvar o membro, a amputação tornou-se inevitável. “O meu pai chorava e dizia que não queria ficar sem a perninha”.
A operação marcou profundamente José Espírito Santo, já debilitado pela hemodiálise diária. “Foi muito difícil para ele saber lidar com aquilo. Chorava compulsivamente”, relata a filha à VTM.
Depois de meses entre hospitalizações e unidades de cuidados continuados, a situação agravou-se novamente há cerca de dois meses, quando sofreu uma queda durante um transporte relacionado com a diálise. “Quando o fui ver, ele não falava, não me conhecia”, conta Romina. Acabou internado em estado grave, onde esteve “entre a vida e a morte” durante vários dias.
Hoje, José Espírito Santo encontra-se numa unidade de cuidados continuados, mas continua profundamente fragilizado física e emocionalmente. “Está sempre a chorar porque quer a perninha dele”, diz a filha. “Quando o vou visitar, faço questão que se levante um bocadinho, porque ele sempre foi uma pessoa ativa”.
Foi precisamente essa procura por autonomia que levou Romina a tornar pública a situação do pai e a iniciar contactos com instituições, serviços e entidades públicas, procurando acelerar o acesso a uma prótese e garantir melhores condições de vida. Segundo explica, uma consulta fundamental para o processo de adaptação à prótese acabou por ser marcada apenas depois de toda a exposição pública do caso.
“Se eu não tivesse feito nada, o meu pai era só mais um. Era um esquecido”, afirma a filha.
Além da prótese, a família pretende assegurar acompanhamento de fisioterapia, fisiatria e também cuidados dentários, já que José Espírito Santo perdeu todos os dentes. “Eu não quero viagens nem luxos. Só quero que o meu pai tenha qualidade de vida e volte a sentir-se um ser humano”.
Apoios
A mobilização em torno do caso acabou por gerar uma onda de solidariedade. Amigos, profissionais de saúde e particulares têm tentado ajudar, quer através de contactos, quer através de apoios concretos. Romina garante, contudo, que o objetivo nunca foi financeiro. “Os fundos estão guardados para tudo o que o meu pai possa precisar. O importante é que ele não se sinta abandonado”.
Apesar do desgaste emocional, Romina mantém-se determinada. “O meu pai sempre foi uma pessoa disponível para os outros. Custou-me ouvi-lo dizer que sentia que ninguém queria saber dele. Isso dói muito”.
Entre tratamentos, consultas e esperança, a família continua agora focada no objetivo de devolver a José Espírito Santo alguma independência e tranquilidade nos próximos anos de vida.
Pode enviar donativo para:
IBAN: PT50 0045 2250 4021 8579 7741 8





