Nas aldeias, vai havendo menos pessoas a dedicar-se a algumas atividades, como a pastorícia, mas Tiago Farroco e a mulher escolheram apostar na terra.
O agricultor esteve emigrado em França e Inglaterra, mas há 20 anos regressou para à terra natal, Campanhó, e dedicou-se à atividade que já tinha sido dos seus ancestrais.
“Os meus pais foram sempre agricultores, nasci na agricultura. Estive uns anos fora, e quando voltei fiz um projeto de jovem agricultor”. O gosto pelo campo e por trabalhar com animais foi o que o mais pesou na decisão de se dedicar à atividade. Tem cerca de 190 cabras bravias e algumas vacas maronesas, raças autóctones com que gosta mais de trabalhar. “É característico da região e estamos mais habituados com eles”, explica. As vacas que mantém servem apenas “para fazer a manutenção do terreno, onde as cabras não podem ir, vão elas”, explica, mostrando que aqui não é preciso explicar o que são cabras sapadoras, pois a prática é muito antiga. “Ajudam a limpar o terreno e não cresce tanto a vegetação”, refere.
O casal dá conta de cuidar do rebanho, e dos trabalhos ligados à alimentação, como as sementeiras e segadas. “Só na altura de maior trabalho é que há sempre pessoas da terra que vão ajudando, ajudamo-nos uns aos outros”, refere.
Ao final da manhã, solta as cabras e guia-as até à serra. Orientadas pelos hábitos calcorreiam a montanha pelos baldios. No entanto, Tiago Farroco lamenta que cada vez mais cortem áreas de baldio com apoio para pastoreio. “Os senhores lá de Bruxelas decidiram isso, mas a Europa não é toda igual, e os baldios não são todos iguais, e consideram que certas zonas não são elegíveis para pastorear, se tiverem árvores já não dá para a candidatura, mas é um erro, porque aí até convém que os animais andem lá para fazer manutenção do terreno”, exemplifica.
Considera que os jovens podem, mesmo assim apostar na agricultura, atividade que diz dar rendimento, mas compreende que a dureza do trabalho e o facto de não permitir tirar férias, ou dias de descanso com facilidade, afaste os mais novos. “É uma atividade de esforço e dedicação”, afirma.
No seu caso, não tem dificuldades em vender os cabritos e escoar os produtos. “Com algumas pequenas divulgações as pessoas vão estando ao corrente das qualidades das carnes”, sublinha, que advém do pastoreio na serra onde a alimentação é diversificada.
Hoje em dia também têm de se adaptar às alterações climáticas que são uma dificuldade, ou com chuva a mais, ou com seca, afetando a produção, e a despesa combinada com o prejuízo deixa as contas mais apertadas. “Às vezes uma pessoa anda a trabalhar e no fim não colhe nada. Tem de se comprar forragens para os animais”, afirma.
Apesar de haver menos agricultores, pelo lado positivo os rebanhos são bem maiores do que antigamente.
APOIO
Para apoiar os produtores pecuários, o município apoia a sanidade animal a 100%, e também dispõe de um Gabinete de Apoio ao Agricultor (GAA) que ajuda “nas burocracias e em candidaturas”.
Também o município destaca que tem apostado no desenvolvimento rural, criando incentivos e disponibilizando apoio técnico aos agricultores através do GAA. “Este serviço auxilia na modernização da atividade agrícola, promovendo a sustentabilidade económica da região”.
Para promoção das raças autóctones, a autarquia e associações destas espécies têm promovido concursos pecuários, alguns muito antigos e outros mais recentes, com o de cabra bravia em que Tiago ganhou três prémios com alguns animais do seu rebanho, mostrando orgulhoso os troféus. “Fez-se pela primeira vez e esperamos que continue todos os anos, porque é uma mais-valia para estas raças e as pessoas ficam mais motivadas para cuidar bem dos animais”, conclui.




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