Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
Em Foco“As nossas maiores prioridades são a saúde, a educação e a agricultura”

“As nossas maiores prioridades são a saúde, a educação e a agricultura”

Entrevista à cabeça de lista da AD | Ana Paula Martins | Professora Universitária | 59 anos

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Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito?

As nossas maiores prioridades, entres outras, serão na saúde, na educação e na agricultura.

A valorização da saúde no interior é fundamental para fixar população, atrair profissionais qualificados e garantir qualidade de vida e uma melhor prestação de cuidados de saúde. Para alcançar isso, é preciso ir além da infraestrutura: trata-se também de valorização profissional, acesso equitativo e integração com o território.

A educação no interior é um pilar essencial para combater a desertificação, promover a igualdade de oportunidades e desenvolver o potencial local.

Para que tudo isto aconteça, é necessário investir não só nas escolas e universidades, mas na formação de professores, acesso à tecnologia e conexão com o setor empresarial.

A agricultura no interior é muitas vezes a base da economia local e um instrumento poderoso para o desenvolvimento sustentável, gerador de emprego e fixação de população. No entanto, é necessário garantir que esta atividade seja produtiva e lucrativa e atrativa para as novas gerações.

A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. O que se pode fazer para combater este flagelo?

A perda de população é um fenómeno comum a todas as regiões do interior do país. Para combater essa perda populacional é preciso um conjunto de estratégias que fortaleçam a atratividade e a qualidade de vida no interior. Para tal, temos que promover a descentralização de investimentos públicos e privados; incentivar as empresas a se instalarem no interior por meio de incentivos fiscais e infraestruturas adequadas (logística, energia, internet de qualidade).Educaç

É necessário fomentar a economia local e a agricultura familiar, apoiando as cadeias produtivas locais, cooperativas, agroindústrias e produtos típicos regionais para gerar emprego e rentabilidade sustentável.

Melhoria das infraestruturas, de habitação e dos serviços públicos, investindo em saúde, educação, transporte, saneamento e conectividade digital ajudam a fixar a população e atrair novos residentes.

Educação e qualificação profissional, desenvolvendo a potencialidade das escolas técnicas, universidades e centros de formação, preparando os jovens para empreender ou trabalhar na própria região.

Turismo rural e valorização cultural, estimulando o turismo de experiência, ecológico ou histórico pode gerar receita e promover o orgulho da identidade local.

Incentivar o empreendedorismo digital e tecnológico em áreas como o agronegócio e serviços remotos de forma a atrair jovens ao interior.

Como atrair investimento para a região?

Atrair investimentos para o interior exige uma combinação de políticas públicas, incentivos estratégicos e valorização das potencialidades locais, o que em parte já está respondido à pergunta anterior.

No entanto, poderá exigir um maior mapeamento e identificação dos diferenciais da região e distrito de Vila Real, nomeadamente as suas vocações agrícolas, recursos naturais, turismo, mão de obra disponível ou localização logística.

Criação de incentivos fiscais e regulatórios, isentando ou reduzindo impostos para novas empresas por um tempo determinado. Facilitação na burocracia para a abertura de negócios empresariais e obtenção de licenças.

É importante desenvolver incentivos financeiros para a participação em feiras nacionais e, sobretudo, internacionais e redes de desenvolvimento regional de forma a permitir uma maior prospeção de investidores para a nossa região.

Nos últimos tempos tem-se visto que a linha aérea tem uma grande importância para a região. Como impedir que esteja tantas vezes suspensa?

É do conhecimento público que o governo anterior deixou acumular uma dívida de 4,5 milhões de euros à empresa Sevenair, tendo o atual Governo da AD já regularizado 3,4 milhões de euros, dos quais 2,6 milhões de euros relativos a contratos assinados pelo anterior governo, alguns relativos ao 3º ano da concessão anterior (período de 01 de março de 2022 a 28 de fevereiro de 2023).

A linha aérea regional Bragança/Viseu/Cascais/Portimão é estratégica para potenciar o desenvolvimento do interior transmontano e duriense, pois melhora a conectividade, atrai negócios e impulsiona o turismo.

No entanto, é necessário criar as condições de continuidade na sua viabilidade através dos pagamentos atempados à empresa que opera esta linha e, por outro lado, não permitir que os contratos de concessão terminem sem estar lançado o respetivo concurso internacional para a contratualização operativa.

Deu entrada no Parlamento uma petição a favor da reabertura da Linha do Corgo. Acredita que o troço poderá reabrir? Se sim, de que forma e que mais-valias terá?

A Linha do Corgo, ligando as cidades de Peso da Régua a Vila Real e Chaves, apesar de já estar suspensa, foi encerrada definitivamente em 2009 por um Governo do PS. Restabelecer a ligação ferroviária entre estas cidades, pode promover a mobilidade e atração de investimentos, além do crescimento da procura turística. No entanto, será necessário elaborar um estudo técnico para a eventual reabilitação da via (infraestrutura e material circulante). Na eventualidade da reativação ferroviária não ser viável a curto prazo, poder-se-á transformar o leito da linha numa ecopista, como ocorreu em outras regiões de Portugal.

Não obstante, será imperioso mobilizar as autarquias, comunidades intermunicipais e associações cívicas, sensibilizando o Governo na obtenção e disponibilização de fundos da UE (União Europeia), como o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) ou o Portugal 2030, para financiar reabilitações ferroviárias ou infraestruturais.


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