Sábado, 19 de Junho de 2021
Luís Pereira
Historiador e Arqueólogo. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Ascensão do pecado ao calvário imoral

Perdoe-lhes Senhor pois vivem na imoralidade e no pecado.

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Não entendendo como é possível acontecer os atropelos que decorrem no centro histórico da cidade, apenas nos resta suplicar ao Bom Senhor e esperar que do alto do seu Calvário caia a tempestade na terra da imoralidade dos mortais pecadores, estes que, de forma consciente, passam por cima da moral e da responsabilidade de preservar os cantos da história do seu povo, num egoísmo lúcido da vontade do fazer com olhos postos no futuro, sem respeito pela memória e pelas materialidades do passado de todos nós. A evolução dos lugares, aldeias, vilas e cidades é visível através das arquiteturas antigas que representam a nossa história através da arte, com os diferentes estilos decorativos que simbolizam diferentes correntes sociais e os vestígios arqueológicos que provêm de contextos que lhes dão significado e enriquecem o conhecimento da nossa terra e de nós próprios. O certo é que não podemos voltar ao passado, mas é nosso dever respeitar a nossa história e garantir que as próximas gerações tenham acesso a ela também, algo que continua a não ser percebido pelo poder local. A evolução pretendida nos nossos dias baseia-se no respeito pelo património ambiental e construído, articulando da melhor forma os projetos atuais com as pré-existências, isto na ótica da sustentabilidade e de quem tem olhos realmente para o futuro sem que para tal fique apenas demonstrado o egocentrismo de más decisões políticas. Não é fácil desenhar o futuro, mas a bom jeito e à boa maneira dos “da casa” o caminho mais fácil é romper a direito um monte e demolir edifícios porque atrapalham a visão da tábua rasa, apesar de todas as melhores intenções para o cidadãos, e que neste caso o lema justificativo é a mobilidade terrestre, mas esquecem-se porém que também é dos cidadãos o direito a usufruir a sua história, o seu património e o ambiente citadino onde vivem. O exemplo dado presentemente às gerações futuras é que nada do que vem para trás da nossa existência é para ser valorizado mas sim estuprado em todas as formas visíveis, mesmo quando garantem publicamente que se faz muito pelo património cultural, que no entanto é destruído aos poucos com os sonhos do avançar para ofuturo.

Vivemos num tempo de verdadeiro terrorismo democrático que roça o antigo regime ditatorial, este que no entanto valorizou mais qualquer parte da nossa história do que a atualidade, ao ponto de haver a necessidade de se estabelecer um protocolo entre os ministérios para que respeitem e cumpram com a lei de protecção do patrimóniocultural.

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