Sábado, 30 de Maio de 2026
Luís Pereira
Luís Pereira
Historiador e Arqueólogo. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Os ismos

No século XXI anda-se atrás de conceitos, ideologias e políticas do passado histórico e nas primeiras 72 horas de 2026 revelaram o Autoritarismo, o Totalitarismo, o Militarismo e o Absurdismo da política interna e externa dos EUA, algo impensável vindo de quem se via como parceiro da paz e condena outros países pela mesma razão!

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Paira agora a ameaça Expansionista no Espaço Europeu a Ocidente enquanto a Oriente persiste a insegurança na fronteira da hegemonia Europeia.

Os ismos persistem no tempo e voltam a impor doutrinas obscuras e movimentos políticos cada vez mais próximos de um tempo passado em que, de novo, o mundo encolhe ombros sem resposta e fecha os olhos ao genocídio de povos em prol de tratados económicos que favorecem opressores e não oprimidos. O termo 26 marca a história Mundial com grandes acontecimentos que continuam a influenciar a geopolítica mundial, podendo-se talvez entender como uma coincidência temporal ou mais recentemente como algo premeditado.

Recordar a história não é apenas um exercício do saber mas também uma ponderação com base no conhecimento do passado para compreender o presente e o que pode estar à beira de acontecer no futuro. Recuar a 1926, ano que marcou o mundo com a consolidação de regimes autoritários na Europa e em Portugal o início da Ditadura Militar (a 28 de Maio) que culminou no longo Estado Novo que nos assombra novamente. Recuando séculos, em 1826 instala-se crise política em Portugal com conflitos entre liberais e absolutistas, em 1726 o reino encontrava-se no auge do absolutismo de D. João V banhado pelo ouro proveniente do Brasil e a proliferação do estilo barroco na arquitectura religiosa e nobre.

Em 1626 o reino estava sob domínio de Espanha com a Dinastia Filipina (centralismo) terminando na restauração da independência 14 anos depois e em 1526 a nossa história ficou marcada pelo expansionismo iniciado com os descobrimentos. Longo é o caminho dos ismos e quanto mais se recuar no tempo mais se percebe que não é o melhor sistema de estado em que se queira viver presentemente. Infelizmente muitos entre nós preferem andar para trás do que contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa, tolerante e evoluída. Assiste-se à resistência da Democracia ameaçada por uma ideologia que pretende concentração de poderes e opor-se a valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade em construção. A democracia não foi pensada na perfeição mas sim na possibilidade de entendimento através do diálogo de diferentes visões que em conjunto possam construir um futuro melhor. De que vale o protesto, o desabafo, a escrita e o grito ainda em tempo de liberdade se os que procuram fazer a diferença com o nacionalismo preferem ser serventes e instrumentos de propaganda do medo com um tempo de vida tão breve quanto a dos outros? A geopolítica e o agora são determinantes para o amanhã e resta pensar que o eleitor têm o mundo nas mãos na hora de escolher, consciente que há quem prefira escolher o fim da liberdade.

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