Sou um dos muitos que existem que dá o corpo ao manifesto pelo interesse de algo que nos diz respeito, o nosso património cultural nas suas múltiplas tipologias. Aquele que incomoda por estar presente a exercer as suas funções enquanto diretor de escavação arqueológica, ou responsável por um acompanhamento arqueológico, por publicar artigos científicos e crónicas, ou simplesmente por estar atento ao meio envolvente e alertar publicamente e a quem de direito sobre a importância que determinados objetos/artefactos, sítios, edifícios detêm para a nossa história e contribuíram para o desenvolvimento social, tecnológico e económico do país, no âmbito do art.º 78º da Constituição da República Portuguesa em que “Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural”.
Quem pensa que um Arqueológo apenas existe para complicar, implicar, “estar contra o desenvolvimento” são aqueles que mais atrasados andam no pensamento, pois enquanto nós vamos percebendo o porquê do nosso estado, a nossa história e o que aprendemos com a história, os “modernistas” alimentam-se da ignorância e alimentam quem os ouve e segue através da ignorância, da deturpação da realidade, de falsos moralismos e de falsificação do que realmente importa.
Não nos podemos esquecer que esta visão sobre o Arqueólogo é algo construído à imagem de quem não se importa com o que é nosso e com a finalidade de criar uma imagem negativa de uma profissão que tende a chocar com interesses económicos flagrantes, na maior parte das vezes. Mas que bicho é esse que se cria ao exercer a profissão de Arqueólogo no âmbito do cumprimento da Lei que estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural – Lei 107/2001 de 8 de Setembro, em que se vê que o cidadão em muitas ocasiões é forçado a intervir para alertar, apelar, denunciar que há património cultural de importância que está, ou vai ser, destruído? Como é que custa a tantas pessoas a nível local entender que o art.º 3º (Tarefa fundamental do Estado) da lei do património prevê na alínea 3: “O conhecimento, estudo, proteção, valorização e divulgação do património cultural constituem um dever do Estado, das Regiões Autónomas e das Autarquias Locais”! Portanto como é que em tempo de pré-campanha eleitoral é altura ideal para anunciar a Classificação como Património de Interesse Municipal a Calçada romano-medieval e o arco granítico existente, ambos localizados na Campeã, quando o próprio município ignorou e ridicularizou este património publicamente em 2020? Sim, sou Arqueólogo, natural de Vila Real e orgulhoso por intervir no nosso património a nível nacional quando é o tempo certo!




