Talvez haja uma tentativa de politização de tudo o que confronta diretamente com o estado da questão. Abordar determinados temas ou temáticas abertamente nas redes sociais ou nos órgãos de comunicação social é um exercício do nosso direito de exprimir ideias ou visões, é a liberdade de expressão no seu todo. Por vezes, denunciar publicamente algo que é de interesse público e que deva ser alvo de uma refleção cuidada pode ser entendido como um ataque político e até mesmo usado como mero instrumento político, embora o objetivo principal é o de alertar, consciencializar e grande parte das vezes apelar para que determinadas vontades, projetos, “gostos pessoais” não devam interferir no que diz respeito à proteção do bem comum, daqueles bens materiais ou imateriais que caracterizam o nosso património e identidade cultural, o meio ambiente ou algo de valor estratégico que interessa a todos nós, seja então sobre as questões relativas ao património cultural e natural, seja na saúde ou na educação, etc..
O recente apagão fez abrir os olhos sobre algumas questões sobre cidadania, sobre o que falta na sociedade e no que falhou na organização da sociedade, demonstrando o quão dependente se encontra um Estado/País que se gaba ser energeticamente autossuficiente em termos renováveis e o quão incivilizado a sociedade se torna ao mínimo sinal de alerta.
Desta forma, pode-se e deve-se então, e por direito à informação dos cidadãos, fazer uma questão pública sobre onde anda a ação de sensibilização e de preparação que ajudam a lidar com acontecimentos, catástrofes ou improvisos de grande impacto para as pessoas.
Como é possível um país ficar totalmente parado, sem comunicações básicas de alerta e de informação e sem ação durante horas a fio?! Face ao avanço das tecnologias no setor energético não seria uma prioridade o acesso livre à energia solar, por exemplo, sem grandes custos para o cidadão em vez da monopolização do sol que nasce para todos?
O direito de Cidadania é pois uma das maiores heranças que o 25 de Abril de 1974 nos legou, mas 51 anos depois ainda não é para todos o exercer de maneira livre, sem filiações, nem preconceito ou preocupação social em se expor publicamente. O mundo cibernáutico das redes sociais permitem a divulgação de todo o tipo de informação quase não sujeita à censura ou à veracidade dos factos, pois o que importa é o número de seguidores e definir comportamentos sociais e novos hábitos de consumo e não o melhoramento da sociedade, dos comportamentos e da educação cívica. Esta fácil forma de divulgação de informação é utilizada para moldar opiniões e abusada de forma sistemática para instabilizar a sociedade, seja com “notícias falsas” ou meias verdades, seja com perfis falsos e até com a Inteligência Artificial na criação de falsas realidades.




