Terça-feira, 16 de Junho de 2026
Luís Pereira
Luís Pereira
Historiador e Arqueólogo. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Não sendo política, é Cidadania

Na qualidade de Cidadão, o direito de participação ativa na sociedade pode ser facilmente confundida como um ato político, quando na verdade não deveria ser visto como tal.

Talvez haja uma tentativa de politização de tudo o que confronta diretamente com o estado da questão. Abordar determinados temas ou temáticas abertamente nas redes sociais ou nos órgãos de comunicação social é um exercício do nosso direito de exprimir ideias ou visões, é a liberdade de expressão no seu todo. Por vezes, denunciar publicamente algo que é de interesse público e que deva ser alvo de uma refleção cuidada pode ser entendido como um ataque político e até mesmo usado como mero instrumento político, embora o objetivo principal é o de alertar, consciencializar e grande parte das vezes apelar para que determinadas vontades, projetos, “gostos pessoais” não devam interferir no que diz respeito à proteção do bem comum, daqueles bens materiais ou imateriais que caracterizam o nosso património e identidade cultural, o meio ambiente ou algo de valor estratégico que interessa a todos nós, seja então sobre as questões relativas ao património cultural e natural, seja na saúde ou na educação, etc..

O recente apagão fez abrir os olhos sobre algumas questões sobre cidadania, sobre o que falta na sociedade e no que falhou na organização da sociedade, demonstrando o quão dependente se encontra um Estado/País que se gaba ser energeticamente autossuficiente em termos renováveis e o quão incivilizado a sociedade se torna ao mínimo sinal de alerta.

Desta forma, pode-se e deve-se então, e por direito à informação dos cidadãos, fazer uma questão pública sobre onde anda a ação de sensibilização e de preparação que ajudam a lidar com acontecimentos, catástrofes ou improvisos de grande impacto para as pessoas.

Como é possível um país ficar totalmente parado, sem comunicações básicas de alerta e de informação e sem ação durante horas a fio?! Face ao avanço das tecnologias no setor energético não seria uma prioridade o acesso livre à energia solar, por exemplo, sem grandes custos para o cidadão em vez da monopolização do sol que nasce para todos?

-PUB-

O direito de Cidadania é pois uma das maiores heranças que o 25 de Abril de 1974 nos legou, mas 51 anos depois ainda não é para todos o exercer de maneira livre, sem filiações, nem preconceito ou preocupação social em se expor publicamente. O mundo cibernáutico das redes sociais permitem a divulgação de todo o tipo de informação quase não sujeita à censura ou à veracidade dos factos, pois o que importa é o número de seguidores e definir comportamentos sociais e novos hábitos de consumo e não o melhoramento da sociedade, dos comportamentos e da educação cívica. Esta fácil forma de divulgação de informação é utilizada para moldar opiniões e abusada de forma sistemática para instabilizar a sociedade, seja com “notícias falsas” ou meias verdades, seja com perfis falsos e até com a Inteligência Artificial na criação de falsas realidades.

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