Por vezes é necessário uma frase motivadora para se mudar, para dar aquele incentivo necessário, para reforçar e até para melhorar o desempenho pessoal, e no sentido lato, a sociedade. Facilmente encontramos frases inspiradoras na internet tais como “Quando o seu interior muda, seu exterior reage à mudança”. Se o Interior “resiste” à mudança pela resiliência do conhecimento ancestral que ainda se encontra nas aldeias e vilas e pela teimosia das gentes da terra em amar o seu território e as suas raízes então a ideia errada de um interior pouco desenvolvido resulta do fraco desempenho dos agentes políticos locais que agem como gestores de bens alheios repartidos por interesses e laços de amizade, impedindo assim o desenvolvimento e o crescimento do interior pois vale mais não criar alarido do que vir os de fora saber o que se passa, ao género de “para cá do Marão manda os que cá estão”.
Não estranho o lisboeta ou o habitante do litoral desconhecer o interior do país marcado por um meridiano invisível que separa burocraticamente um país pequeno, estranho sim não conhecerem a geografia e a história nacional pois são disciplinas aborrecidas e que convém nem dar importância no ensino. Também não estranho o total desconhecimento do país por parte de comentadores de encomenda e por determinados representantes políticos, estranho sim a incapacidade de um país crescer sem conhecer o seu país e as suas potencialidades.
O problema do Interior não é apenas o despovoamento, o envelhecimento da população, o abandono das terras, etc., é sim a falta de visão estratégica regional que permite fomentar o crescimento económico e a fixar população sem ser necessário recorrer a subsídios e afins para determinadas classes profissionais. Talvez a mudança do paradigma económico possa reverter esta situação. O Interior não pode ficar refém do interesse de grupos económicos lobistas que se aproveitam do património do Estado para ganhos próprios. A agricultura enquanto base da evolução da sociedade é o setor chave e não apenas a exploração de minério, as explorações energéticas e o setor turístico. O país tem de acordar da ideia que a agricultura não é rentável e não tem futuro pois muitos dos nossos emigrantes trabalham na agricultura nos maiores centros produtores alimentar da europa.
Está na altura de se pensar nas cotas de produção alimentar de marca nacional até para um bom ordenamento territorial, dando vida às florestas e desta forma trabalhar na prevenção dos incêndios.




