Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021
Tiago Pereira Fernandes
Advogado. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Até ao lavar dos cestos…

No rescaldo das eleições legislativas que decorreram no passado dia 6 de Outubro cumpre fazer uma análise crítica fria dos resultados e do processo que aos mesmos conduziu

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Sobre os resultados, pese embora pelos discursos dos vários líderes políticos (com excepção de Assunção Cristas) possamos intuir que todos saíram vencedores, a verdade é que o grande vencedor destas eleições legislativas foi o Partido Socialista e António Costa, alcançando mais 21 de Deputados do que nas eleições legislativas de 2015. 

António Costa demonstrou nas urnas que o seu estilo credível e dialogante, a sua capacidade de gerar compromissos e consensos mas, acima de tudo, a forma como governou Portugal nos últimos quatro anos, devolvendo rendimento aos portugueses sempre com contas certas, é algo que os portugueses amplamente reconhecem como positivo. 

Também a Rui Rio devem ser assacados méritos, uma vez que conseguiu crescer quase 6% relativamente às eleições europeias de Maio do corrente ano. Pese embora o carácter cirúrgico do reaparecimento do Processo de Tancos e o seu lamentável aproveitamento eleitoral por parte do Partido Social Democrata, a verdade é que, pese embora muitos pensem o contrário (basta vermos o número de proto candidatos à sua sucessão), Rui Rio demonstrou ser um activo para o seu Partido. 

Relativamente aos demais partidos, cumpre referir que o Bloco de Esquerda não cresceu como esperava e a estratégia do CDS sofreu uma pesadíssima derrota eleitoral. Sendo de salientar o crescimento do PAN e o surgimento pela primeira vez da extrema-direita com representação parlamentar, algo que todos nós teremos que doravante nos habituar.

Nesta análise importa também olhar para o Distrito de Vila Real e dizer claramente que pese embora o Partido Socialista não tenha conseguido atingir o seu objectivo, vencer as eleições e assim eleger o terceiro deputado, continua a sua trajectória ascendente na conquista do eleitorado trasmontano.

Sendo também para nós claro olhando para os resultados concelho a concelho que, qualquer tentativa de extrapolar estes resultados para as eleições autárquicas de 2021, será por certo uma tentativa precipitada.

Aqui chegados, porque este tipo de análise pode ser sempre entendida numa perspectiva do “copo meio cheio ou meio vazio”, cumpre no entanto constatar uma realidade: os últimos dez dias de campanha do Partido Socialista não correram ao nível daquilo que a Governação Socialista dos últimos quatro anos habituou todos os portugueses.

A verdade é que estas eleições atestaram o aforismo popular que deu nome a este artigo de opinião, como “até ao lavar dos cestos é vindima”, importa valorizar a campanha e todos os seus ingredientes (debates, acções de rua, etc.), caso contrário, ficaremos sempre com a sensação que o resultado poderia ter sido ainda melhor.

 

* O autor escreve de acordo com o antigo acordo ortográfico

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