Domingo, 3 de Maio de 2026
Alto TâmegaAutarca “perplexo” com recusa do prolongamento da consulta pública da Mina do Barroso

Autarca “perplexo” com recusa do prolongamento da consulta pública da Mina do Barroso

Fernando Queiroga que promete continuar a lutar “até à exaustão contra a exploração de lítio no concelho” e acusa o governo de tentar “passar por cima de tudo e de todos”, com prazos que considera “irrealistas e inexequíveis”

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O presidente da Câmara Municipal de Boticas, Fernando Queiroga, diz-se “perplexo” com o facto de a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) não ter aceitado o pedido de prolongamento do prazo da consulta pública do projeto reformulado de “Ampliação da Mina do Barros”.

O novo Estudo de Impacte Ambiental para a Mina do Barroso, a localizar em Covas do Barroso e Dornelas, onde a Savannah quer explorar lítio, entrou em consulta pública a 22 de março, processo que termina a 4 de abril.

O município tinha requerido que o processo fosse prorrogado, por entender que 10 dias úteis eram insuficientes para analisar toda a documentação e poder pronunciar-se. Para o presidente da câmara de Boticas, Fernando Queiroga, o prazo é “injusto e totalmente irrazoável”, já que se trata “de um projeto completamente novo e é humanamente impossível analisar todos os documentos, fazendo uma análise criteriosa, não só pelo seu volume [a APA disponibilizou no portal Participa 1.776 ficheiros para a consulta pública], mas também por se tratar de aspetos com complexidade técnica, que requerem a contratação de serviços externos, assim como o facto de só agora ter tido acesso à documentação”.

O autarca considera que a câmara perde o “efetivo direito de participação e pronúncia” na consulta pública “em circunstâncias de igualdade perante uma entidade privada, com o beneplácito do Estado”, por “não ser possível até à data estipulada ter concluída a recolha transversal dos contributos técnicos indispensáveis à elaboração de uma posição fundamentada”.

O presidente da Câmara de Boticas vai mesmo mais longe, ao dizer que “se a intenção do Governo é passar por cima de tudo e de todos, sob o pretexto de um apelidado ‘desígnio nacional’, em clara violação dos princípios elementares da Constituição da República Portuguesa, então não vale a pena abrir quaisquer consultas públicas, muito menos com prazos completamente irrealistas e inexequíveis, apenas para ‘tapar os olhos dos portugueses’ e para enganar a população de Covas do Barroso e do concelho de Boticas, já que as decisões parecem estar tomadas à partida”, frisa Fernando Queiroga que promete continuar a lutar “até à exaustão contra a exploração de lítio no concelho”.


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