Quiseram ouvir, “em discurso direto, as principais preocupações”, no âmbito da missão da comissão de fiscalizar a ação do Governo e fazer a ponte entre as populações e o poder legislativo.
O presidente desta comissão, Salvador Malheiro, explica que as duas reuniões, de 21 e 22, foram “extremamente profícuas”.
“Ouvimos com muita sensibilidade” a preocupação e descontentamento, “com argumentos válidos e que denotam que o assunto não foi bem tratado desde o início”. “Não tenho a menor dúvida que, se as pessoas tivessem sido envolvidas desde a primeira hora, tudo podia ser diferente”, referiu.
O deputado, especialista na área do ambiente, entende que “tem de prevalecer o bom senso” e que “por mais decisivo que seja um projeto para o país, e mesmo para o continente, nunca pode ser feito sem a compreensão e colaboração das pessoas”, afirmou, após a reunião com os autarcas da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT), em que participaram deputados do PSD, PS e Chega, que integraram esta visita ao Norte.
O social-democrata admite que o partido pode “eventualmente” apresentar um projeto de resolução sobre a questão, mas não se comprometeu, até porque, no início deste mês, a AR chumbou propostas que pediam a suspensão ou cancelamento dos projetos de mineração previstos para o Barroso.
O presidente da Câmara de Boticas destacou a importância de os deputados “irem ao terreno, conhecer as realidades locais e as preocupações da população”, porque “há muita contra-informação” sobre os projetos mineiros. Fernando Queiroga espera que seja “apresentada uma proposta ao Governo”, baseada em toda a informação e não “só nos dados que a empresa está a entregar”, sendo que o grupo de 16 deputados visitou ainda o local onde arrancaram já os trabalhos, em Covas do Barroso.
Sobre a servidão administrativa lançada pela Savannah para que possa ter acesso a mais terrenos diz que é só uma forma de “a empresa lançar algumas notícias” para os investidores, “que não estão a ver os investimentos rentabilizados”. O também presidente da CIMAT salientou que “90% da área que supostamente seria explorada são territórios dos baldios e junta de freguesia”, que se opõem ao projeto. Sobre a aceitação das minas por parte das comunidades, que o CEO da Savannah disse ser cada vez maior, Queiroga considera que não é bem assim. “São só meia dúzia de pessoas que está a trabalhar para a empresa”, vinca.
A autarca de Montalegre diz que saiu dos encontros com “expetativa”. “Transmitimos aquilo que não são só preocupações, mas certezas, ponderando o que se prevê, entre o deve e o haver, nitidamente que temos aqui maiores prejuízos do que benefícios”, sublinha Fátima Fernandes, que sustenta que após a extração “fica só o passivo ambiental”, no território e a possibilidade de se perder o reconhecimento como Património Agrícola Mundial.
Se tal acontecer, a presidente do município questiona “qual o valor monetário objetivo que os agricultores vão perder” relativo à majoração que atualmente recebem, afirmando que será “um valor significativo”.[/block]





