Juntam-se também organizações da sociedade civil e ambiental de toda a Europa para debater a justiça na utilização dos recursos naturais.
Os eventos são organizados pelo Observatório dos Recursos Naturais, pela MiningWatch Portugal, Ecologistas en Acción, Amigos da Terra e a associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, com a colaboração do Observatório Ibérico da Mineração.
Durante três dias, mais de meia centena de representantes de movimentos, plataformas e coletivos ibéricos e europeus partilharão experiências e estratégias de resistência e solidariedade face ao avanço do extrativismo mineiro e energético e às suas consequências ambientais e sociais. “Este encontro é uma oportunidade única para reunir o conhecimento de organizações ibéricas e europeias com a experiência vivida das comunidades afetadas por projetos mineiros e energéticos,” sublinha Nik Völker, presidente do Observatório dos Recursos Naturais.
Acrescentou que “só através desta articulação podemos denunciar práticas destrutivas e propor alternativas concretas baseadas na justiça ambiental e na gestão sustentável dos recursos”.
Covas do Barroso e Boticas, na região do Barroso – reconhecido pela FAO como Património Agrícola Mundial e ameaçada pela proposta de uma das maiores minas de lítio da Europa, foi o local escolhido como símbolo de “resistência e exemplo de mobilização comunitária”.
A região do Barroso é hoje um dos epicentros europeus do debate sobre o futuro dos territórios rurais e os impactos da transição energética. “O caso de Covas do Barroso não é apenas local. Somos um exemplo sistémico de como a pressa por minerais críticos ameaça comunidades, ecossistemas e modos de vida em toda a Europa e no mundo. Mostrar esta realidade e as suas conexões é essencial para repensarmos o rumo da transição energética,” afirma Carla Gomes, da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso.
Ao longo do encontro, serão realizados debates, oficinas e sessões de trabalho sobre alternativas à mineração, defesa do território e cooperação internacional.
Terá também lugar a caminhada guiada “Paisagens de Poder”, em Morgade (Montalegre), que proporcionará uma leitura histórica sobre a forma como as paisagens e sociedades do Barroso foram moldadas por grandes projetos (agro)industriais, como as barragens hidroelétricas e os processos de colonização interna do século XX.
Serão ainda apresentados os avanços do Observatório Ibérico da Mineração, que mapeia más práticas do setor e já documentou mais de uma centena de casos, bem como o fórum internacional “Povos contra o Extrativismo”, que conta com a participação de organizações de vários continentes, incluindo representantes da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador.
O programa inclui dois momentos abertos ao público. Assim, no sábado, às 20h30 será exibido o documentário “Scars of Growth”, no Auditório Municipal de Boticas, seguida de um debate com a realizadora, protagonistas e comunidades afetadas.
No domingo, às 10h00, haverá uma ação solidária em Covas do Barroso, em apoio às comunidades em luta pela defesa do território e do património ambiental. “Os encontros pretendem fortalecer alianças entre comunidades e organizações que enfrentam projetos extrativistas em toda a Península Ibérica e na Europa, reforçando a cooperação para uma transição energética verdadeiramente justa, democrática e sustentável”, explica a organização em comunicado.





