“Tenho um sentimento de revolta e frustração, porque não posso fazer nada”, afirma António Santos. Segundo o autarca, esta decisão prova que “o interior do país está a ser abandonado à má sorte” e também que “os bancos só pensam no lucro”.
Para o presidente da Câmara de Vimioso, “o serviço de proximidade e, de certa forma, social que deviam praticar é colocado na gaveta”.
“Acho que têm uma função social que devem desenvolver dentro dos territórios, principalmente nos territórios do interior. É uma forma de as pessoas não se sentirem tão ignoradas e tão marginalizadas ou até mesmo esquecidas”, vinca o autarca, que ainda tinha esperança que a agência continuasse aberta, ainda que com horários reduzidos, à semelhança do que já acontecia, ao abrir ao público apenas “às terças-feiras”. Contudo, “apesar de solicitado, nada disso me foi garantido. Foi, aliás, recusado”.
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António Campos confessa que “solicitei que fosse deixada uma caixa multibanco no exterior, que permitisse fazer movimentos idênticos aos que se fazem no balcão”, mas sem sucesso, e não entende o motivo deste encerramento, até porque “o Millennium BCP é o banco utilizado pela maioria dos habitantes do concelho”.
“O banco diz que não tem movimentação financeira, tendo em conta que somos um concelho pequeno, com cada vez menos pessoas”, lamenta, vincando o sentimento “de revolta e impotência por isto acontecer”.
Para António Campos, “como empresa que é, o banco faz o que quer”, frisa.
Entretanto, em declarações à agência Lusa, o banco em causa explica que “o Millennium BCP procura, em cada momento, ajustar o serviço às necessidades dos clientes e à evolução do negócio, com uma gestão dinâmica e integrada entre os diferentes canais de relação com os clientes (Sucursais, ‘Call Center’, Site e ‘APP’)”, confirmando a intenção de encerrar a agência de Vimioso.
Segundo a mesma fonte, “os clientes continuam, naturalmente, com acesso a qualquer sucursal Millennium da sua conveniência, assim como aos canais digitais”, indicando que a agência mais próxima está localizada em Miranda do Douro, ou seja, a cerca de 30 quilómetros de distância.
Além do Millennium BCP, o concelho de Vimioso conta com outras agências bancárias, sendo que apenas a Caixa Geral de Depósitos e o Crédito Agrícola abrem diariamente.
De recordar que este não é caso único. Em 2023, a agência do Millennium de Salto, no concelho de Montalegre, fechou também portas. No mesmo ano, em Sabrosa, a agência do banco Santander encerrou.
Além disso, nos últimos tempos, são várias as agências a reduzir serviços. O caso mais recente aconteceu em Carrazeda de Ansiães com a Caixa Geral de Depósitos, algo que foi noticiado pela VTM na edição passada.




