Segunda-feira, 16 de Maio de 2022

Construção à boleia do PRR?

A construção mostrou a sua resiliência durante (presente) a pandemia. Mas, agora, está em crise! O aumento dos preços dos materiais de construção, a par da falta de mão de obra especializada são duas questões que estão a preocupar o setor.

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Para o setor da construção, e após um crescimento estimado da produção de 4,3% em 2021, as previsões apontam para uma aceleração da atividade, antecipando-se um acréscimo real do valor Bruto de Produção do setor em 2022 entre 4,0% e 7,0%, intervalo a que corresponde um ponto médio de 5,5%, dando, assim, continuidade a um importante contributo positivo para a retoma

Os investimentos previstos no Plano de Recuperação e Resiliência(PRR), colocam o setor em destaque, em virtude dos investimentos em construção previstos em áreas como a habitação, a eficiência energética dos edifícios e a construção de infraestruturas.
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destinado a Portugal terá 16,6 mil milhões de euros para investir, 14 mil milhões dos quais a fundo perdido e 2,6 mil milhões em empréstimos. E as verbas a fundo perdido deverão crescer ainda mais. Isto porque, o novo cálculo de subvenções com base na perda do PIB em termos reais durante a pandemia resulta, para já, num ajuste de 1,5 milhões de euros.

Mas, neste momento, as empresas estão a trabalhar nos concursos e empreitadas, ainda com base em preços realistas, exercendo sempre que possível os mecanismos para reequilibrar contratos com alteração anormal e imprevisível dos materiais.
Segundo o setor, as fórmulas de revisão de preços têm de refletir, de forma ajustada, a variação de custos efetivos, e serem revistas mensalmente.

O aumento dos preços tem-se refletido, de forma expressiva, na cotação das matérias-primas e o setor fala mesmo em risco de disrupções na cadeia de fornecimento. O aço para betão subiu 15%, o alumínio 20% e o cobre 7,2%. A catividade da construção é muito penalizada nestes materiais que têm origem na Rússia e na China.

A execução do Fundo PRR está prevista para o período 2021 a 2026. No plano estão longas dezenas de obras, entre elas: ligações rodoviárias transfronteiriças, acessibilidades a áreas industriais, melhoria de acessibilidades a espaços públicos, requalificações de teatros, construções de polos de saúde, unidades de internamento e de cuidados paliativos, residências na área da saúde, requalificação de edifícios para melhor eficiência energética, entre outros.

Contudo, o setor da construção civil que emprega cerca de 320 mil pessoas, juntando a carência de 70 mil trabalhadores, continua a mostrar-se instável e deficitário. Será que o setor vai apanhar boleia? Ou a flexibilização irá levar os milhões para à entrada e a saída de outros projetos.

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