É uma vila com história, identidade e uma comunidade que mantém viva a alma desta região classificada como Património Mundial. Mas por detrás das imagens perfeitas que se divulgam nas feiras de turismo, há uma realidade que não pode continuar a ser ignorada.
A ponte na estrada que liga Sabrosa está em “muito” mau estado, representando um risco para quem circula e uma má impressão para quem chega. Nas margens do rio Douro, o lixo dentro e fora dos caixotes, deixado pelos barcos cruzeiros acumula-se, ferindo a paisagem que deveria ser símbolo de excelência. Estes problemas não são meros detalhes: são sinais claros de falta de planeamento e de investimento em infraestruturas básicas.
É inevitável uma crítica ao município. Não basta promover o Pinhão em eventos; é preciso apostar na criação de condições reais para um turismo sustentável.
As instalações da Casa do Douro, hoje subaproveitadas, são um exemplo gritante: poderiam ser transformadas em espaços culturais, centros de informação ou áreas de lazer, reforçando a identidade local e dinamizando a economia.
Mas há algo que não podemos esquecer: as pessoas. A comunidade do Pinhão é dinâmica, resiliente e promotora de várias iniciativas que dão vida à freguesia. São estas gentes que, muitas vezes em silêncio, enfrentam dificuldades diárias.
Turismo sustentável não é só receber milhares de visitantes; é garantir que quem vive aqui tem condições dignas, serviços básicos e oportunidades para prosperar.
O Douro é património mundial, mas isso exige visão e compromisso. Pinhão merece mais do que ser uma fotografia bonita nas redes sociais. Precisa de investimento, planeamento e respeito pela sua gente. Porque o futuro do turismo só será sólido se for construído com quem aqui vive.
É tempo de agir. Não podemos permitir que a Vila do Pinhão seja apenas um postal ilustrado.
Quem tem o poder têm o dever de transformar esta vila num exemplo de equilíbrio entre turismo e qualidade de vida.
Porque o Douro não é só para ver – é para viver.





