Segunda-feira, 8 de Junho de 2026

O exemplo do SNS e do Hospital de São José

O acidente trágico na Calçada da Glória, que ceifou a vida a dezasseis pessoas e deixou tantas outras feridas, ficará para sempre gravado na memória coletiva como um dia de luto nacional.

Mas, no meio da dor e da consternação, emergiu também um sinal poderoso de esperança: a resposta imediata, humana e competente do nosso Serviço Nacional de Saúde, e em particular dos médicos e equipas do Hospital de São José.

Lisboa viveu horas de autêntica aflição. As imagens do socorro no local comoveram o país, mas foi já dentro das urgências que se viu o outro lado desta tragédia: o da solidariedade silenciosa dos profissionais de saúde. Médicos que não estavam de serviço largaram o que tinham em mãos e correram para o hospital. Especialistas de várias áreas apareceram sem que ninguém os tivesse convocado, apenas porque sentiram que eram precisos. De repente, três blocos operatórios estavam a funcionar em simultâneo, numa coreografia de dedicação e de técnica que só a experiência e o espírito de missão conseguem explicar.

O Hospital de São José tem uma longa tradição de responder nos momentos de maior dificuldade. Foi, e continua a ser, a grande escola da urgência de trauma em Portugal. O que vimos agora não foi um acaso: foi o resultado de décadas de saber acumulado, de hierarquias respeitadas, de lideranças firmes e de uma cultura de serviço público que permanece viva.

Recordo as palavras de um antigo diretor de serviço: “na medicina, há momentos em que não se discute, faz-se”. Foi exatamente isso que aconteceu. Não houve tempo para burocracias, nem lugar para cálculos pessoais. Houve apenas espaço para o que importa: salvar vidas.

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No meio do luto que todos sentimos, há um orgulho sereno que não posso deixar de sublinhar. Portugal respondeu como um país do primeiro mundo. O SNS, tantas vezes injustamente criticado, provou ser uma das nossas maiores conquistas coletivas. E os médicos, enfermeiros e técnicos de saúde lembraram-nos que o juramento de Hipócrates não é uma formalidade esquecida: é um compromisso que pulsa nas veias de quem veste a bata branca.

Hoje, ao pensar nas vítimas e nas suas famílias, quero também pensar nos que estiveram dentro das urgências, de máscara colocada e mãos firmes, a lutar contra o relógio. Eles mostraram-nos que, mesmo nos dias mais negros, a generosidade humana é capaz de fazer luz.

O Hospital de São José e todos os que nele trabalham deram-nos uma lição: de competência, de solidariedade e de humanidade. E é justo que, no meio da tragédia, o país inteiro lhes diga: obrigado.

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