Sábado, 17 de Janeiro de 2026
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“Defender o comércio tradicional, valorizar os baldios e lutar pela Casa do Douro”

Entrevista ao cabeça de lista da CDU | José Ferreira | Jurista | 62 anos

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Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito?

O combate à desertificação e a aposta na nossa produção, prioridades que se cruzam, mas que, ainda assim, nos sugerem sublinhar  que o reforço da produção e da economia regional tem presente o facto dos pequenos e médios produtores agrícolas desempenharem um papel fundamental na estrutura social e económica de boa parte do distrito. Por isso, é imperioso levar em consideração as particularidades da região nos apoios à produção.

Para além disso, é necessário defender o comércio tradicional, valorizar os baldios e lutar para garantir a Casa do Douro como Associação Pública de Inscrição Obrigatória, consolidar o seu funcionamento democrático e estabelecer as condições materiais necessárias para que a Casa do Douro possa desempenhar plenamente as suas atribuições.

A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. O que se pode fazer para combater este flagelo?

A desertificação é de facto um dos grandes problemas do distrito, por isso o seu combate constitui uma das prioridades da CDU.

Se os jovens em geral abandonam o distrito por não encontrarem trabalho, é imperioso promover incentivos fiscais para as micro, pequenas e médias empresas que criem postos de trabalho com direitos e que atendam às necessidades da região.

Depois, é preciso elevar a agricultura a setor estratégico e olhar com muita seriedade para os custos à produção. Potenciar a pequena agricultura, a agricultura familiar e biológica, como forma de contrariar o abandono do mundo rural. Valorizar os produtos regionais, inclusivamente as águas termais e o turismo. E sobre o turismo, é preciso responsabilizar a Super Bock pelo cumprimento dos compromissos que assumiu com o Estado e com as populações, no que diz respeito a transformar as Pedras Salgadas em Vila Termal e à construção de dois hotéis.

É também necessário defender o comércio local e os mercados tradicionais, a única forma dos pequenos produtores poderem escoar os seus produtos, o que passa por disciplinar a liberalização dos horários das grandes superfícies e sobretudo o seu encerramento ao domingo.

Como atrair investimento para a região?

A resposta ficou dada na resposta à pergunta anterior.

Nos últimos tempos tem-se visto que a linha aérea tem uma grande importância para a região. Como impedir que esteja tantas vezes suspensa?

De facto, esta linha aérea tem sido importante para a região e não é um assunto novo para a CDU. Com efeito, depois das peripécias promovidas pelo Governo de Passos Coelho e Paulo Portas, que suspendeu a ligação, em 2013, a CDU apresentou na A.R., em 2014, uma iniciativa legislativa para o restabelecimento da ligação que o PSD e CDS acabariam por “chumbar”.

E o que nos levou a apresentar essa iniciativa legislativa foi também o facto da região de Trás-os-Montes constituir um território estratégico de interface e de oportunidades no relacionamento com o país vizinho, porta para a Europa, reclamando, também, a promoção de políticas públicas ativas de investimento social e económico, de atração e fixação de empresas para criar riqueza, postos de trabalho e combater a desertificação.

Quanto às regulares suspensões da ligação aérea, apenas vêm dar razão à CDU que sempre considerou que este tipo de transporte, feito por privados, não garante o serviço público.

Deu entrada no Parlamento uma petição a favor da reabertura da Linha do Corgo. Acredita que o troço poderá reabrir? Se sim, de que forma e que mais-valias terá?

A ferrovia tem de ser olhada como um elemento fundamental na mobilidade das pessoas, que até do ponto de vista ambiental é mais sustentável. A CDU coloca a reabertura da linha do Corgo e a modernização da linha do Douro, com ligação a Espanha, como prioridades nesta matéria.

Consideramos, portanto, que a Linha do Corgo é só por si um produto turístico, dado o seu enorme potencial, para além do que poderá representar em termos de mobilidade para uma região que continua refém do transporte rodoviário.

Recorde-se que a CDU, em março de 2019, com o propósito de não deixar cair o assunto no esquecimento e para reclamar a sua reativação, promoveu uma caminhada pela linha do Corgo entre Vila Real e Régua.

Reabrirá se houver vontade política para o efeito. De resto importa ter presente que a CDU tem apresentado propostas, inclusivamente em sede de Orçamento de Estado com vista à concretização dessa obra.

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