Domingo, 15 de Março de 2026
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“Desenvolvemos projetos que vão muito além do que estava proposto”

Bruno Ferreira está prestes a completar o primeiro mandato à frente do Município de Mondim de Basto. A fixação de pessoas, atração investimentos e apoio na área social são alguns dos objetivos que orientam a atuação do autarca, que tem apostado em potenciar o turismo de natureza no concelho

Foi eleito em 2021, que balanço faz deste seu primeiro mandato?

Sou suspeito para fazer uma análise, mas a verdade é que aquilo que são os resultados e também a opinião que a comunidade nos vai apresentando obriga-nos a sermos, mais que otimistas, realistas. Nós ganhámos numa eleição histórica, não tínhamos qualquer vereador, nem qualquer junta da freguesia em 2021 e ganhámos com maioria, elegemos dois presidentes de junta. Ganhámos porque apresentamos um projeto ambicioso em que nos propusemos a criar um projeto de desenvolvimento para a próxima década para o concelho de Mondim de Basto.

Criou-se também uma expectativa bastante grande sobre a nossa capacidade de concretizar esse projeto e de que forma conseguiríamos implementá-lo.

Ao fim de mais de três anos de mandato podemos fazer um balanço bastante positivo do que era um projeto ambicioso. Nós dizíamos que era para a próxima década, mas, a verdade, é que já hoje desenvolvemos um conjunto de projetos que vão muito além daquilo que estava proposto aos mondinenses. E, efetivamente, fomos também capazes de nos adaptar às oportunidades de projetos de financiamento para alavancarmos o concelho e, acima de tudo, cumprirmos aquilo que era o nosso objetivo, termos um concelho mais solidário, mais verde e mais atrativo. E tem sido isso que nos temos empenhado em conseguir, que o desenvolvimento do concelho possa ser feito centrado nas pessoas.

Como encontrou a autarquia a nível financeiro?

Há a dívida que herdamos e compromissos de empréstimos contraídos. As condições que encontramos eram condições estáveis, permitiam-nos avançar com o projeto de desenvolvimento. O que não se percebe é, com esta estabilidade, o porquê da estagnação que acabou por acontecer no concelho e de não se ter avançado com um conjunto de infraestruturas. Hoje, temos uma situação mais sólida, uma capacidade de endividamento maior e um orçamento que aumentou significativamente.

O orçamento municipal em 2021 era de cerca de 13 milhões de euros, este ano estamos a falar de 28 milhões de euros. Um aumento muito significativo, não só representativo da capacidade de execução e da atração de investimentos, mas, no que diz respeito a projetos e medidas, procuramos fazê-los de forma equilibrada e para que as finanças do município não sejam afetadas.

Mondim de Basto está em obras e há vários projetos a serem concretizados. Quais gostaria de destacar?

Quando entrámos deparámo-nos com o conjunto de infraestruturas que o concelho ainda não possuía e que já existem noutros. Não temos uma piscina escolar coberta, temos uma rede de saneamento bastante deficitária, não temos novas unidades de acolhimento empresarial.

O grande desafio é de que forma conseguimos recuperar o tempo perdido e, simultaneamente, alavancar o concelho para criar condições para o futuro. Tivemos o maior investimento em acessibilidades, através de um financiamento a que recorremos, no valor de 2,5 milhões de euros para pavimentações. No Programa Acesso para Todos temos um investimento que, no final de quatro anos, será de cerca de 930 mil euros.
Temos também, em curso, projetos para uma nova creche, piscina escolar coberta, estão a ser realizadas obras de reabilitação no Centro de Saúde e avançaremos também com o Novo Centro de Vinhos Verdes numa das nossas freguesias.

Através do 1.º Direito, temos oportunidade de criar novas habitações, num conjunto de infraestruturas. São projetos estruturantes, que já deveriam estar concluídos há vários anos, mas a verdade é que nós temos tido a capacidade de os executar.

Quais são as medidas estruturantes que tem para o concelho?

Apresentámo-nos com a vontade de construir um concelho mais solidário, mais verde e mais atrativo. Ao nível solidário, temos um conjunto de programas e medidas de apoios sociais que são fundamentais. Desde logo, o apoio financeiro às nossas IPSS. Neste mandato, atribuímos um apoio significativo, de meio milhão de euros, à Associação Solidariedade das Aldeias de Mondim, que tem quase em fase de conclusão um novo lar.
Temos outra associação, de apoio à deficiência, a quem foi atribuído um apoio de 350 mil euros, para mostrarmos que da parte da autarquia têm um parceiro importante.

Paralelamente, iniciámos o incentivo de apoio à natalidade. Lembro-me que em 2021 tinham nascido apenas 21 crianças no concelho, havia uma necessidade efetiva de apoiar para que mais crianças pudessem nascer no nosso concelho e, efetivamente, esse aumento tem-se verificado.

“Temo-nos empenhado em que
o desenvolvimento do concelho possa ser centrado nas pessoas”

Temos o apoio ao medicamento, à nossa população mais idosa, assim como o apoio de transportes para os hospitais, quer de Braga, Porto, Vila Real, para poderem deslocar-se às consultas de forma gratuita. Criamos apoios para a habitação, apoio escolar para aquisição do material para os alunos do primeiro ciclo, asseguramos o transporte dos estudantes do ensino superior para que possam ao fim de semana regressar ao concelho e, desta forma, reduzir uma despesa familiar.

Estamos a conseguir que este concelho seja mais social e mais preocupado com a população. Podia falar também na redução de impostos, a taxa de IMI mínima, o IMI familiar e na redução progressiva do IRS para as famílias.

Para um concelho mais atrativo, obviamente as acessibilidades são importantes, mas estamos também a criar nova zona de acolhimento empresarial.

O setor do turismo tem sido também uma aposta do município e estamos com uma candidatura para a construção de um Centro de Turismo para criar condições para que as nossas empresas se possam instalar, criar e dinamizar a oferta turística do concelho.

E, depois, um concelho mais verde. Estamos integrados no Parque Natural de Alvão, temos desenvolvido alguns projetos, inauguramos recentemente o Centro Interpretativo das Fisgas de Ermelo, avançamos com o projeto das Levadas do Alvão, um produto turístico que temos vindo a desenvolver na promoção do território e do património único que temos.
Estamos a elaborar uma candidatura para um LivingLab no Parque Natural de Alvão, associando investigação, ensino com a natureza e ambiente.

Outro projeto é da valorização das margens dos rios Tâmega, Cabril e Cabrão, um investimento de cerca de 3,5 milhões de euros, que conseguimos captar.
Os rios, a floresta e a natureza são um bem ativo que queremos preservar e valorizar.

Disse, no início do seu mandato, que queria tornar Mondim de Basto na mais bela porta de entrada em Trás-os-Montes. Em que patamar está este desejo?

Acredito mesmo que o concelho de Mondim de Basto, com os seus 170 quilómetros quadrados, com uma zona ribeirinha do Vale do Tâmega, onde são produzidos os melhores vinhos verdes da região e do mundo, a nossa montanha com paisagens magníficas, e onde temos pastoreio extensivo com a produção da raça Maronesa e cabra Bravia, a Nossa Senhora da Graça que nos dá um postal de visita e convida a explorar este património natural, é a mais bela porta de entrada, pelas suas características, mas também pelas pessoas que estão aqui para receber.

Mondim de Basto tem vários pontos turísticos especialmente para os amantes da natureza. Quais são as apostas nesse setor?

Temos uma trilogia: as Figas de Ermelo, a Senhora da Graça e as Levadas do Alvão.
São três produtos turísticos, um património natural único e genuíno, não conseguimos encontrar em mais lado nenhum e entendemos que podemos ser diferenciadores na nossa oferta turística. Juntamos a nossa gastronomia, vinhos, fatores patrimoniais, turismo religioso, que estão associados na estratégia turística. Os três elementos naturais permitem-nos apresentar um grande postal de visita e, acima de tudo, valorizar aquilo que é nosso.

“O setor do turismo tem sido uma aposta do município. Os rios, a floresta e a natureza são um ativo que queremos preservar e valorizar”

O interior do país tem na sua grande maioria uma população envelhecida, o que pode fazer um autarca de uma região do interior para atrair mais pessoas?

Primeiro a nossa população mais sénior tem que ser tratada com o máximo de carinho e valorizar as pessoas que deram a sua vida pelo nosso território, pelas suas famílias.

Criámos uma iniciativa, os Centros de Convívio, temos 21 com professores de ginástica, trabalhos manuais e outra área mais didática, para levar alegria e promover uma vida ativa à nossa comunidade sénior.

Quando pensamos na atração de novas pessoas, em primeiro lugar temos que nos lembrar daquelas que já vivem no concelho e que precisam da nossa ajuda. Para atrair pessoas é preciso criar condições de emprego, é ele que fixa as pessoas, e de habitação, e vamos também disponibilizar um loteamento para que se possa construir.

E como se atrai investimento?

É preciso que o emprego possa estar de acordo com as novas valências, novas formações e atualidade. Estamos a desenhar um projeto, um centro tecnológico para que novas empresas e emprego qualificado se possam instalar no concelho.

Com a segunda zona de acolhimento empresarial a empresas poderão instalar-se e ver no nosso território uma oportunidade de investimento. Terá cerca de 20 hectares, onde poderemos instalar mais de 40 lotes para implementação das empresas. E depois a nossa floresta, que precisa que haja uma vontade de ser explorada, no sentido positivo.

Fale-nos mais um pouco sobre esse centro tecnológico, em que se baseia?

Na candidatura que estamos a preparar, pretendemos aproveitar um espaço físico que temos e criar um espaço de incubação de empresas, para criar um ecossistema colaborativo com as empresas e, acima de tudo, para que haja uma vontade empreendedora dos nossos jovens e empresários.

Pretende ter uma ligação direta à A7, que passos foram dados nesse sentido?

Devemos ser dos poucos concelhos que tem uma autoestrada a atravessar o território e que não consegue ter uma ligação.

Temos a variante do Tâmega, que está em fase de conclusão. Inicialmente iria ligar Amarante até Arco do Baúlhe, neste momento liga Amarante até ao concelho de Celorico de Basto. Há uma obra que irá de Celorico até a Vila Nune e estamos, os autarcas, a trabalhar para que fique concluída, o que vai facilitar o acesso quer à A4, quer à A7.

Obviamente, temos a reivindicação de ter uma ligação direta à A7, até porque a autoestrada passa na freguesia de Atei.

Nas acessibilidades, temos estado a elaborar um projeto ambicioso, que é uma via circular alternativa ao centro da vila, para desviar os camiões. Temos pesados, de transporte, essencialmente, de pedra, a atravessar a artéria principal, às dezenas todos os dias, com efeitos na poluição, estragos na via e o congestionamento no centro da vila.

Esse projeto terá que ser financiado com dinheiro do Estado central.

Em relação à construção da creche municipal, em que fase é que está esse processo?
Foi aprovado, no dia 22, o lançamento do concurso público e esperamos que, daqui a 10 meses, possamos ter as condições para receber as nossas crianças.

Há uma fila de espera bastante grande na única creche do concelho, as nossas famílias têm que recorrer a concelhos vizinhos, outras, não conseguindo, ficam em casa, porque não têm local onde deixar as crianças. O município, perante esta falha, assumiu esse projeto ambicioso, pela importância que é para as famílias, para fixar jovens casais, termos uma resposta que fosse ao encontro dessa necessidade.

É uma pressão positiva, é bom sinal, de que, efetivamente, existem crianças, famílias que querem ter aqui os seus filhos.

Com os apoios, a taxa de natalidade tem vindo a aumentar?

Sim, aumentou significativamente. Obviamente que não é somente porque a câmara dá um apoio e incentivo à natalidade, que as famílias têm crianças. O município dá um apoio de 750 euros durante três anos às crianças e é uma ajuda, mas aquilo que pesa na decisão são as condições familiares, a vontade para se fixarem. Depois, no primeiro ciclo, além do apoio para o material escolar, as refeições, de qualidade e utilizando produtos locais, são asseguradas pelo município.

A agricultura é um dos setores mais importantes para a região. Que apoios é que o município oferece aos agricultores?

Nós criámos um apoio ao desenvolvimento rural em que apoiamos não só os agricultores, mas também os produtores de gado, quer caprino ou bovino, para dar um incentivo. Em termos de agricultura, como referi, os nossos vinhos verdes são de excelência, é uma atividade importante no nosso concelho.

Temos a floresta e a criação de gado, de forma maioritária caprinos e bovinos, são raças autóctones que produzem uma carne de grande qualidade.

Quais têm sido as apostas feitas no setor da cultura?

Com a criação do Favo das Artes, temos conseguido criar uma dinâmica durante praticamente todos os fins de semana, em que não só procuramos trazer artistas de renome nacional, nas mais diversas manifestações artísticas, do teatro à música, à magia, procurando diversificar a oferta, para que os mondinenses possam ter acesso a estes espetáculos. E se tivermos uma boa oferta cultural, também é uma forma de atrairmos novos visitantes.

Uma particularidade é o envolvimento das nossas associações culturais, que atuam com regularidade no Favo das Artes. É um espaço aberto a todas as manifestações culturais, mas também aberto a todos, aos residentes e a quem nos visita.

Há uma medida que entendo ser bastante importante, que é o Favo na Rua, nos meses de verão a cultura sai à rua e criamos uma dinâmica para que as pessoas possam usufruir destes espetáculos. Outro projeto é o Favo nas Freguesias, em que levamos, duas ou três vezes por ano, às nossas freguesias espetáculos culturais, procurando que a cultura chegue a todos.

“o Favo das Artes é um espaço aberto a todas as manifestações culturais, mas também aberto a todos, aos residentes e a quem nos visita”

A nível do desporto, que incentivos são atribuídos aos clubes e associações do concelho?

Nós temos dois apoios para os clubes, um do incentivo ao rendimento, uma valorização da formação realizada por parte dos nossos clubes e um apoio mais generalizado para o desenvolvimento das atividades. Este mandato, já reabilitamos o piso sintético do estádio municipal, onde joga o Mondinense Futebol Clube.

Além destes apoios para o funcionamento, recentemente, demos apoio para a aquisição de duas viaturas, uma ao Mondinense e outra ao Atei Futebol Clube, para terem melhores condições para transportar os atletas, para os treinos e para os jogos. São apoios importantes para melhorar as condições desportivas dos clubes.

É também de referir um apoio, que eu creio que é muito importante, o transporte para todas as atividades, que o município assegura de forma gratuita.

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