Apesar de o calendário ter atirado a celebração para um sábado, dividindo atenções com as escapadinhas de fim de semana, o comércio local e a restauração confirmam que os vila-realenses mantêm vivo o romantismo, seja através da tradicional rosa vermelha ou de um jantar à luz das velas.
Cândida Ferreira, florista, conhece como poucos o pulsar do coração dos homens da região. O movimento na sua loja foi constante, ainda que ligeiramente mais calmo do que em anos anteriores. “Foi dentro das expectativas, mas um pouco mais baixo por ser sábado. Ao sábado, as pessoas têm outro tipo de opções”, explica a lojista.
Contudo, a tradição de oferecer flores neste dia mantém-se e faz parte do ciclo anual da florista, superando até outras datas fortes do calendário local. “Os homens na nossa região são muito românticos”, garante Cândida Ferreira. A preferência não deixa margem para dúvidas, uma vez que a rosa vermelha é a rainha absoluta, muitas vezes acompanhada por peluches para compor o “mimo”.
Para a florista, este dia vale mais do que o balanço financeiro. “Não é só o nível económico. É um dia agradável, bonito. Ver os homens a levar um mimo especial, desde os 5€ aos 60€, conforme as possibilidades”.
“Noite dos Namorados”
Se o dia pertence às floristas, a noite é território dos restaurantes. Alexandra Amorim, do setor da restauração, confirma que o 14 de fevereiro transforma-se, na prática, na “Noite dos Namorados”. Com a lotação esgotada e uma sala extra aberta para a ocasião, o balanço não podia ser melhor. “Tivemos imensas chamadas, mesmo com uma sala a mais. Teríamos enchido outro restaurante se o tivéssemos”.
Para este ano, a receita do sucesso passou por um menu de preço fixo com harmonização de vinhos e uma decoração obrigatória com velas e flores secas. No prato, um equilíbrio entre bacalhau e vitela.
Apesar da crise ou das mudanças de hábitos, o jantar fora no Dia dos Namorados parece ser uma instituição. As reservas antecipadas dominam, mas há sempre quem tente a sua sorte à última hora.
São Valentim
Apesar de ser comummente aceite chamar-se Dia dos Namorados, o 14 de fevereiro é dedicado a São Valentim. A Igreja Católica reconhece a mais do que um mártir com esse nome e por isso, a lenda tem poucas certezas históricas.
Como é também dia de São Valentim, o Município de Tarouca assinalou esta data enchendo a cidade de “símbolos de afeto e proximidade”. Vários pontos da cidade foram decorados com balões em forma de coração e corações com frases dedicadas ao amor, à amizade e à importância dos pequenos gestos no dia a dia.
Na rotunda do Mártir São Sebastião, o Executivo Municipal marcou presença e distribuiu rosas a todos os que por ali passaram, num gesto simbólico que foi recebido com sorrisos, abraços e palavras de agradecimento.
Dia Nacional do Doente Coronário
O dia não é dedicado apenas ao romantismo, tem também destaque os problemas do coração real e não do Cupido. 14 de fevereiro é, ainda, o “Dia Nacional do Doente Coronário”.
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) alerta para uma realidade que nos devia preocupar. Apesar dos progressos na luta contra as doenças cardiovasculares, a mortalidade por doença coronária estagnou na última década para os portugueses com menos de 75 anos.
Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), enquanto a taxa de mortalidade geral por doença coronária diminuiu, esta não se alterou nos grupos mais jovens. Por isso, a SPC defende que a “sensibilização deve ser acompanhada por políticas de saúde concretas, como a comparticipação de medicamentos para a obesidade em doentes com doença cardiovascular mesmo sem diabetes e a implementação de um rastreio de risco cardiovascular”.





