Dei nota do trabalho duro, ao frio, ao vento, debaixo de chuva ou sob um calor tórrido, da Srª Amélia que, de segunda a sexta-feira, se deslocava a pé para levar e trazer o correio, com as novas de quem, distante, precisava de uma carta para matar saudades. Outros tempos, dir-se-á!… E terminava assim: «Como passará a ser, agora, com este frenesim contabilístico, em que o mais importante é mesmo o lucro? A perda de qualidade do serviço público postal está aí, claramente. E nós não queremos voltar aos tempos da Sr.ª Amélia.»
Afinal, as Estações encerraram, mesmo. Abriram-se Posto dos Correios. E quem nos garante que esses Postos executam todas as tarefas que as Estações executavam? Os mais altos dirigentes dizem que sim.
Em recente visita a Mesão Frio, quando se planeava fazer chegar determinada informação por carta via CTT, fomos informados que uma carta metida no correio, em Vila Real, numa sexta-feira, muito provavelmente, só chegaria ao destinatário, em algumas freguesias daquele concelho, na sexta-feira seguinte. Espanto?!… Pois o Sr. Presidente da Câmara não escondia o seu desagrado e revolta enquanto confirmava a informação que nos era prestada. O motivo não é a distância quilométrica, decerto. Regrediu-se, claramente. Revoltante, sem dúvida.
A distribuição do correio sofreu alterações em vários concelhos. Os Centros de Distribuição foram deslocalizados, ou fundidos com outros. As reações estão dispersas por atas de Assembleias Municipais. Alguns dos eleitos não pouparam aquela empresa nas suas críticas.
No final de março, os CTT anunciaram uma subida do custo dos serviços – 4,5% em média, mas o correio normal e o registado tem aumentos de 5%. Entretanto, foi tornado público que o serviço prestado baixou em qualidade.
Ora acontece que são distribuídos dividendos pelos acionistas superiores aos lucros do ano, como refere o Expresso do passado dia 7: «Os Correios vão entregar aos acionistas em dividendos um montante equivalente ao dobro do lucro alcançado em 2017, indicador que se situou nos 27,3 milhões de euros.» Ao que parece, o que vai ser distribuído ascenderá a «57 milhões de euros».
Então, é justo questionar: Como é possível tudo isto – dividendos superiores ao lucro da empresa, aumentos escandalosos do custo dos serviços prestados e continuar a encerrar Estações, fazendo chegar o correio cada vez mais tarde?!
Se não estamos a regressar ao tempo da Sr.ª Amélia, lá que parece, parece.



