“É preciso pensar o futebol de formação no distrito”

O treinador Carlos Calina, de 54 anos, foi o convidado do Bola ao Centro.

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Começou a jogar no Chaves, onde fez toda a formação. “O futebol deu-me tudo, uma família, amigos e ajudou-me a crescer”. 

Após uma rotura de ligamentos, o objetivo de chegar mais longe no futebol ficou esmorecido. “Tive de recuperar à minha custa, com a ajuda do senhor Albano. Andei por clubes da 3ª Divisão e também no regional, tendo terminado a carreia no Sabroso”.  

Recordando os tempos mais antigos para a atualidade, Calina refere que tudo mudou. “O futebol mudou, sobretudo, na mentalidade, nos formatos. Hoje é tudo muito empresarial”. 

Nas últimas duas épocas esteve no Marialvas, clube de Cantanhede, que conseguiu subir ao Campeonato de Portugal, onde esta época alcançou o quinto lugar. “Chego ao Marialvas sozinho, tive de construir uma nova equipa técnica. Correu muito bem, até eliminamos o Tondela na Taça de Portugal. Tivemos muitas dificuldades, as condições não eram as melhores. No início da época tivemos de andar com a casa às costas. Tive de fazer de tudo, porque não há ninguém que queira ganhar mais do que eu”.  

Apesar do sucesso, Calina revela que “é um treinador livre” para assinar por um projeto interessante. “Ainda ninguém falou comigo”.

Ser treinador está no seu ADN, lembrando que no balneário o mais importante é ser um bom líder, não tanto ser bom taticamente. “Eu sou preocupado com os jogadores e consigo perceber se andou ou não na noite. Tenho uma forma fácil de os apanhar, já que sou muito brincalhão”.  

Atento ao futebol do distrito de Vila Real, o técnico defende que o grande problema na formação está nos treinadores. “Adoro a formação, já passei por lá, mas há coisas no treino que não se compreendem”. Além disso, muitas vezes, “baralhamos tudo, paga a joia, tem de jogar”.

Relativamente à formação do GD Chaves, Calina defende mudanças. “Não está nada bem, tem de se parar para pensar o futebol de formação. E os pais nunca foram um problema para mim, como muitos treinadores hoje se queixam. Isto não é coragem, é capacidade de não ter medo e liderança”.

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