Sábado, 16 de Outubro de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

É preocupante!

Não consigo absorver o otimismo gratuito, fácil e infundado que todos os dias entra pelas televisões quando os nossos governantes fazem declarações.   Esta visão otimista é facilmente desmentida por profissionais de saúde, por forças de segurança ou por bombeiros que diariamente estão na frente de combate, sem equipamentos de proteção, sem testes, sem reagentes […]

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Não consigo absorver o otimismo gratuito, fácil e infundado que todos os dias entra pelas televisões quando os nossos governantes fazem declarações.  

Esta visão otimista é facilmente desmentida por profissionais de saúde, por forças de segurança ou por bombeiros que diariamente estão na frente de combate, sem equipamentos de proteção, sem testes, sem reagentes e, sobretudo, sem um suporte governativo capacitado para gerir verdadeiras situações de crise – são praticamente os mesmos governantes que incompetentemente geriram o caso dos incêndios de 2017.

Sejam sérios e desde logo assumam que desvalorizaram e partiram tarde, não estavam minimamente preparados para o problema, mesmo com os exemplos de Itália e Espanha. 

Sejam sérios a manipular os números. 100 novos casos em Itália ou em Espanha não é o mesmo que 100 novos casos em Portugal! Temos respetivamente um sexto e um quinto da população!

A matemática não engana. Infelizmente, ao 23º dia após os 100 casos, temos 1023 infetados por milhão de habitantes, enquanto a Espanha e a Itália tinham, respetivamente, 896 e 463 casos por milhão de habitantes. No caso de Itália, menos de metade do que Portugal. Somos, neste momento, o oitavo país do mundo em número de casos por milhão de habitantes.

É sabido que uma parte significativa dos suspeitos está em casa a aguardar análises de despiste porque não há testes suficientes em Portugal, pelo que, em bom rigor, ninguém sabe quantos infetados temos.

Apesar de tudo isto, num momento em que o povo vive horas de angústia sem saber o seu futuro, o primeiro ministro de Portugal decidiu participar num programa de entretenimento na TV para dizer uma série de banalidades. 

Dois dias depois, em entrevista à rádio Renascença, o primeiro ministro referiu que “Portugal terá que voltar a produzir o que se habituou a importar da China”.

Como, senhor primeiro-ministro? Com esta carga fiscal, como seríamos competitivos? Explique lá isso, por favor…

E quando, senhor PM? Agora que mais de 20 mil empresas já recorreram ao lay-off para evitar encerramentos e despedimentos de trabalhadores? Agora que o número de portugueses em lay-off já supera o número de desempregados e que o PIB nacional vai dar um tombo gigantesco? Belo timing, sem dúvida!

Valha-nos a ação do povo português que, com os meios que tem, cria e oferece equipamentos, organiza-se, voluntaria-se e antecipa-se ao governo. É o mesmo povo que vive entre lay-off’s, convites ao endividamento e moratórias com juros altíssimos. São os mesmos que, quando esta fase terminar, vão levantar o país dos escombros. Os mesmos que continuarão a sustentar 70 governantes que, estes sim, deveriam ficar definitivamente em casa, para que tudo corra bem.

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