O Presidente da República desejou muito sucesso, enfatizando que todos os portugueses haviam investido na empresa grandes somas de dinheiro.
Também o economista Luís Cabral, professor da Universidade de Nova York, referindo-se especificamente à TAP, foi perentório: Há empresas que não são viáveis, mas são mantidas artificialmente, manifestando a opinião de que o Estado português não deve salvar a TAP.
Pessoalmente, temos, desde há muito, a mesma opinião. Quando esta empresa foi criada nos anos quarenta do século passado, o país administrava um Império Colonial, disperso pela África e Ásia, havendo a necessidade de manter boas ligações com esses territórios.
A aviação comercial estava a dar os primeiros passos, e não era fácil recorrer a empresas estrangeiras, que praticamente ainda não procuravam o nosso país. Todos recordam que era a navegação marítima que assegurava as ligações entre o continente e os territórios ultramarinos.
Justificou-se por isso a criação de uma empresa que, ainda que fosse deficitária, assegurasse este desígnio pátrio de manter unidos, por via aérea, estes territórios ultramarinos.
Nesta altura, em que o Império desapareceu, pese embora as boas relações que é necessário manter, não colhe este argumento. Se o país entende que é importante manter voos regulares com as suas ex-províncias ultramarinas, então faça-se um contrato com qualquer dessas empresas que operam a partir do Hub da Portela e fica o problema resolvido.
Partindo do princípio de que o Governo entende que o país deve ter uma empresa pública de navegação aérea, – opção política que quem governa tem o direito de tomar, os postos de trabalho terão de ser reduzidos, para tornar a empresa viável, autossustentável financeiramente, para que este sorvedouro de recursos públicos acabe. A solução passa pelo mínimo estritamente necessário. Diminuir nas aeronaves e reduzir o número de trabalhadores, para se manter o símbolo TAP no ar.
Todos percebemos que não é uma medida fácil de tomar, atento o passado de uma empresa majestática, que teve o seu histórico, não se pode negar. Porém, não se peçam mais sacrifícios a todos os portugueses, porque são estes quem através dos seus impostos (quase insuportáveis) alimentam esta vaidade de ter uma Companhia de Bandeira. Não há necessidade.

