Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
©Pedro Lima, presidente da Câmara de Vila Flor

“No interior somos vistos como uns coitadinhos”

Pedro Lima foi uma das surpresas das eleições autárquicas de 26 de setembro, pondo fim a 28 anos de governação socialista no município de Vila Flor.

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Fale-nos um pouco de si. Quem é o Pedro Lima?

O Pedro Lima é um homem da terra e pai de cinco filhos. Licenciei-me em Inglaterra, em engenharia aeronáutica, trabalhei lá durante oito anos e depois tive uma breve passagem pelo Brasil. Em 2004 tomei a decisão de regressar a Vila Flor, mais concretamente a Freixiel, terra da minha mãe (o meu pai era açoreano). Foi uma decisão que mudou a direção que a minha vida estava a ter. Quando voltei tinha dois filhos e a minha mulher estava grávida do terceiro. Foi uma mudança radical, mas espetacular. Acho que se não tivesse vindo para cá, não teria a audácia de pensar em ter cinco filhos. Esta terra deu-me essa possibilidade. E foi quando regressei que me apercebi que, nesta terra, tudo é ótimo, mas parece que demora uma eternidade e damos desculpas para não fazer determinada coisa, em vez de procurarmos soluções.

Foi isso que o fez ingressar na política? Para procurar melhores soluções para o concelho?

Digamos que quando regressei, esta era uma terra onde parecia não haver esperança. Senti que não podia limitar-me a criar a minha família, quando via que, diariamente, eram desperdiçadas oportunidades. Aqui no interior somos, muitas vezes, vistos como uns coitadinhos e eu recuso-me a pensar assim. Eu acho que a partir do dia em que começarmos a olhar para nós como uns privilegiados por termos esta terra, e tudo que ela oferece, à nossa disposição, vamos conseguir desbloquear. O facto de ter estado fora fez com que, ao chegar aqui, reconhecesse oportunidades que, de outra forma, não teria capacidade para as ver. Contudo, há muitas pessoas que até as veem, mas são bloqueadas pela cultura dominante, porque às vezes não fica bem questionar, não fica bem ir contra. Eu cheguei onde estou por ter audácia, por dizer ‘não’ e por mostrar que estava contra o estado das coisas.

A prioridade do mandato serão as pessoas

E que potencialidades é que viu que estavam a ser mal aproveitadas?

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