António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Equívocos, ou o quê?

Tal e qual! Estou cada vez mais convencido que proliferam equívocos, de natureza política, que não técnica, a propósito dos incêndios florestais.

Digo política, porque considero que os técnicos quando se referem estritamente a questões de natureza técnica, quando discordam uns dos outros com base em questões estudadas e que sustentam, de forma fundamentada, as suas posições, aceita-se como natural. Sempre houve técnicos com posições diferentes, a partir de estudos sérios, elaborados com profissionalismo.

Agora, comparem-se as reações de alguns eleitos a propósito do incêndio da serra de Monchique. Que ardeu em 2003, que ficou entregue a si própria durante todo este tempo e que voltou a arder, em 2018. 

O ano passado foi o que se viu. Houve mortes. Este ano, há jornalistas que não se cansam de convidar “especialistas” que só veem um lado da questão e que, normalmente, apontam baterias aos políticos. Há autarcas, como um tal vereador de Monchique que declarou, o Público citou, que “só se preocuparam em retirar as pessoas à força das suas casas”. Como se a salvaguarda das pessoas não devesse ser o mais importante! Ou está equivocado, ou não sabe mesmo para que foi eleito vereador daquele município. O Sr. Presidente da República, tão habituado a enfrentar as câmaras televisivas, por vezes, também parece equivocar-se. Nas suas competências não está contemplado “enviar recados ao Governo”, na linguagem de certa comunicação social. Nem se compreende muito bem a frase: «eu não me esqueço de lembrar ao Governo”. Aliás, será bom que não entre na lógica daquela advogada da zona de Pedrógão que se utilizou da figura do PR para fazer politiquice. Os mais atentos não se esquecem. E será que o Governo não pode manifestar o seu agrado e congratulação por não ter havido vítimas mortais neste incêndio?! 

A propósito de equívocos, aqui fica um de âmbito local. 

-PUB-

A Câmara de Vila Real pôs em debate uma proposta de intervenção urbanística na Av. Carvalho Araújo. Houve debate, apresentação de opiniões, manifestação de concordância total, parcial e de discordância. Tudo normal. Aliás, correspondendo ao apelo para que a participação fosse ampla. Também a Assembleia e a Junta de Freguesia organizaram uma Sessão sobre o tema. Se alguns dos seus membros quase só se preocuparam com o custo da intervenção e puseram em causa o valor do Arquiteto – equívoco, digo eu – outros alertaram para a importância dos equilíbrios ambientais e os cuidados a que obriga, manifestaram a sua opção por árvores, de preferência, autóctones, em vez de grandes áreas de laje. Mas o maior equívoco encontrei-o num artigo de opinião. Ali se afirma que o Presidente da Câmara quer, com esta intervenção, deixar a sua marca na cidade. Ora, as marcas deste Executivo já são indeléveis e de outra natureza: atração de investimento, dinamização do Parque de Ciência e Tecnologia, eventos com impacto mundial, valorização da zona histórica, bom relacionamento com a UTAD. 
 

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