Com mais de meio século de história, a atual Escola Profissional de Desenvolvimento Rural do Rodo afirma-se como uma das instituições de ensino mais marcantes da região duriense, mantendo uma forte ligação aos setores agrícola e vitivinícola. A origem da escola remonta à Secção Técnica da antiga Escola Técnica da Régua, onde eram ministrados cursos de índole agrícola que permitiam aos alunos concluir o 9.º ano de escolaridade. Mais tarde, já integrada na rede pública de ensino como Escola Secundária, a instituição autonomizou-se, abandonando a designação de Secção Agrícola da Escola Técnica da Régua e reforçando a sua identidade própria.
Com a extinção do Ensino Agrícola nasescolas secundárias ficou aberto o caminho à criação do Ensino Profissional em Portugal. Foi neste contexto que, em 1992, nasceu a Escola Profissional Agrícola do Rodo, instituição que viria mais tarde a assumir a designação de Escola Profissional de Desenvolvimento Rural do Rodo. Desde a sua fundação, a escola esteve profundamente ligada à agricultura e à vitivinicultura.
Ao longo dos anos, a escola foi acompanhando as mudanças económicas e sociais da região, diversificando a formação, mas sem nunca perder a sua matriz ligada à terra, à vinha e ao vinho.
QUALIFICAÇÃO
A diretora da escola, Susana Massa, considera que o Douro precisa de investimento qualificado no ensino profissional agrícola, alertando para o facto de o interior continuar afastado de muitos dos grandes projetos tecnológicos financiados a nível nacional.
“Atualmente, fala- se de centenas de milhões de euros investidos em centros tecnológicos especializados, mas quase sempre ligados ao litoral e a áreas como robótica, automação ou computação. Tudo isso também pode ser aplicado à vinha e ao vinho”, afirmou.
Situada numa quinta com sete hectares de vinha e produção própria de vinho DOCe vinho regional, a escola mantém a ligação histórica ao curso técnico de vitivinícola, mas foi alargando a oferta formativa ao turismo, restauração, hotelaria, termalismo, saúde e instalações elétricas, procurando responder às necessidades do território.
Segundo Susana Massa, o crescimento do turismo no Douro e o aparecimento de novas unidades hoteleiras trouxeram também novas exigências de qualificação profissional. “O setor vitivinícola já não vive isolado. Hoje está ligado ao turismo, ao enoturismo, aos spas, à hotelaria e à restauração. É nesta articulação entre áreas que a escola procura formar os alunos”, explicou a diretora.
Uma das mudanças em preparação passa pela alteração da designação do curso técnico de vitivinícola, que deverá passar a chamar-se “Viticultura, Enologia e Enoturismo”. Para a diretora, a mudança representa uma visão mais abrangente da realidade económica do Douro.
“O que estava previsto inicialmente era retirar a componente da viticultura e ficar apenas enologia e enoturismo. Isso não fazia sentido nenhum. Não há vinho sem vinha e não há turismo sem paisagem”, defendeu.
A responsável considera que a região tem condições para acolher um centro tecnológico especializado dedicado à viticultura e enologia, equipado com laboratórios de análise de solos, folhas e uvas, bem como estruturas ligadas ao aproveitamento dos subprodutos da vinha e do vinho em áreas como a gastronomia ou o termalismo.
“Seria uma mais-valia enorme para o Douro, para os produtores e para o interior. Temos instalações, vinha, equipamentos e conhecimento técnico. Falta olhar para estas áreas como estratégicas para o país”, sublinhou.
Atualmente com cerca de 120 alunos, a escola recebe estudantes de vários concelhos da região e dispõe ainda de capacidade de alojamento para acolher mais jovens. Para o próximo ano letivo, a proposta da escola para a oferta formativa passa por seis cursos: turismo, vitivinícola, auxiliar de saúde, termalismo, cozinha e restauração e instalações elétricas.
FUTURO
Além da componente formativa, a Escola Profissional do Rodo acompanha com preocupação a indefinição em torno do futuro das escolas profissionais agrícolas públicas, num momento em que decorre a reorganização das tutelas entre os ministérios da Educação e da Agricultura.
Susana Massa admite que as autarquias poderão ter um papel decisivo na continuidade destas instituições. “São os municípios que conhecem o território, as necessidades e as potencialidades. São eles que devem ajudar a definir que oferta formativa faz sentido para cada região”, afirmou.
A diretora lembra que a EPDRR é a única escola profissional agrícola pública da CIM Douro e considera essencial que exista uma estratégia clara para o ensino profissional ligado à agricultura. “Vivemos numa região que depende da vinha, do vinho e do turismo. Não podemos continuar a olhar para estas áreas como secundárias quando são elas que sustentam grande parte da economia local”, concluiu.




