Delmar Ribeiro lembra-se bem do dia em que decidiu virar as costas ao ensino regular. Não se identificava com a escola e queria ganhar o seu próprio dinheiro. Foi a tia quem lhe abriu uma porta inesperada: o curso de Instalações Elétricas do IEFP. Ali encontrou, pela primeira vez, uma formação prática, exigente e diretamente ligada ao mercado de trabalho.
O esforço não tardou a compensar. Depois de acumular experiência como trabalhador por conta de outrem, Delmar decidiu arriscar. Sentia que ganhava pouco para o trabalho que realizava e optou por trabalhar por conta própria. Hoje, gere uma empresa com sete funcionários e depara-se, agora do outro lado, com o mesmo problema que ele próprio um dia ajudou a resolver: a escassez de mão de obra qualificada.
“Hoje é muito difícil encontrar profissionais realmente preparados”, admite. Para Delmar, o papel do IEFP é essencial precisamente porque forma pessoas com competências práticas, capazes de responder às necessidades reais do mercado. A formação profissional, defende, deixou de ser uma saída de recurso para se tornar uma escolha estratégica. “Não é uma alternativa menor. É cada vez mais valorizada pelas empresas, porque prepara realmente as pessoas para trabalhar.”
Já Vanessa Priscila divide o seu tempo entre a ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde exerce funções de técnica auxiliar de saúde, e o IEFP de Vila Real, onde forma futuros profissionais de saúde. Para ela, os dois mundos complementam-se. “No hospital ponho em prática tudo o que aprendi. No IEFP partilho aquilo que sei. De certa forma, sinto que estou a devolver o que a formação me deu.”
A história começou alguns anos antes. Foi o curso de Técnico/a Auxiliar de Saúde do IEFP que lhe abriu a primeira porta. Com ele conseguiu entrar na ULS e foi aí, já a trabalhar, que percebeu que queria ir mais longe. Sem largar o emprego, investiu na sua formação e licenciou-se em enfermagem. Mas não ficou por aí e regressou ao IEFP para realizar a Formação Pedagógica Inicial de Formadores.
Defensora do ensino profissional, acredita que este tipo de formação “prepara para a realidade e facilita a integração no mercado de trabalho”. O seu conselho é simples: agarrar as oportunidades e não ficar presa a idealizações.
Quanto a Carlos Martins, procurava uma profissão estável e ligada ao cuidado das pessoas. Encontrou essa oportunidade no curso de Técnico Auxiliar de Saúde, que descreve como determinante para orientar o seu percurso.
Após concluir a formação, passou por vários empregos enquanto aguardava a abertura de um concurso público. A espera confirmou-lhe que tinha escolhido o caminho certo. Um ano depois, integrou a ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde reconheceu a utilidade da preparação recebida: “É prática, exigente e muito próxima da realidade do trabalho.”
Hoje, vê o IEFP como mais do que um centro de formação. “Dá-nos ferramentas, abre portas e mostra que todos podemos ter uma profissão digna e valorizada.”
Três percursos diferentes, três pontos de partida distintos e uma mudança que fez toda a diferença. As histórias de Delmar, Vanessa e Carlos mostram que a formação profissional pode abrir portas, devolver confiança e criar oportunidades de vida. No IEFP, cada percurso de formação pode ser o início de uma nova narrativa.
DESAFIOS
Para Alina Sousa Vaz, diretora do IEFP, “o território enfrenta desafios crescentes ao nível do emprego, exigindo uma formação mais ajustada às necessidades reais das empresas e da economia local”. Neste contexto, “o IEFP de Vila Real desempenha um papel central na qualificação e empregabilidade, promovendo respostas formativas alinhadas com as exigências regionais”.
“ Há mais diálogo com as câmaras municipais, juntas de freguesia e empresas, de forma a identificar necessidades concretas e ajustar a oferta formativa. Este trabalho conjunto contribui para uma melhor articulação entre formação e mercado de trabalho”, vinca a responsável.
No seu entender, “o IEFP de Vila Real assume-se como um parceiro estratégico da governação na definição e implementação de medidas ativas de emprego, com uma intervenção de proximidade e focada no desenvolvimento do território”.





