Sexta-feira, 19 de Junho de 2026
EnsinoEnsino profissional está ligado às necessidades do território e da economia

Ensino profissional está ligado às necessidades do território e da economia

O ensino profissional tem vindo a assumir um papel cada vez mais importante no percurso de muitos jovens, afirmando-se não apenas como uma alternativa ao ensino regular, mas como uma escolha cada vez mais valorizada por alunos, famílias e empresas.

Como explica Mário Carneiro, diretor do Agrupamento de Escolas Fernão de Magalhães, é necessário acabar, de vez, com a ideia que o ensino profissional é para os alunos com mais dificuldades de aprendizagem. De acordo com o docente, “a filosofia que está subjacente” aos cursos técnicos “ é o estigma de que o ensino é para os alunos mais fracos”. Mário Carneiro é perentório sobre o assunto. “ Nada mais falso. cada vez mais se vai verificando que os cursos profissionais são muito mais por aquilo que implicam para as profissões”.

Professor do antigo liceu de Chaves, Mário Carneiro vê agora uma mudança no paradigma do profissional, com muito alunos a seguirem os estudos no ensino superior. Apesar da proximidade ao mercado de trabalho, da forte componente prática e as elevadas taxas de empregabilidade ajudarem a explicar a procura crescente no profissional, há, por parte dos alunos, a consciência que já têm um conhecimento aprofundado para prosseguir para uma licenciatura ou mestrado.

Carências

No Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, o diretor Gil Alvar considera que o ensino profissional deve estar profundamente ligado às necessidades do território e da economia local. “É fundamental perceber qual é a realidade do território”, afirma, explicando que a escola procura adaptar a oferta formativa às áreas onde existe maior carência de mão-de-obra qualificada, uma queixa que ouvimos com frequência em variados setores da economia e que acontece por uma série de razões, começando pelo despovoamento e envelhecimento do território.

Maria Luisa Pedro PAM (2)“Tinha a ideia de terminar e começar a trabalhar, mas conforme fui progredindo comecei a pensar em seguir os estudos no ensino superior”
MARIA PEDRO
ALUNA 

Em alguns destes cursos, sobretudo os ligados à indústria e à eletricidade, os alunos trabalham já com equipamentos de última geração instalados em Centros Tecnológicos Especializados (CET) que muitas escolas tiveram acesso através dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). “Os cursos têm equipamentos muito atualizados que os preparam para o mercado de trabalho”, refere Gil Alvar.

Para Gil Alvar, o interesse das empresas representa um reconhecimento direto da qualidade da formação ministradas nasescolas. Mas como referimos antes, apesar disso, o ensino profissional não significa necessariamente uma entrada imediata no mercado de trabalho. Em áreas como música intérprete ou massagem de estética e bem-estar, muitos estudantes optam depois por prosseguir estudos no ensino superior.

Maria Luísa Pedro, aluna do último ano do curso de Comunicação – Marketing, Relações Públicas e Publicidade, da Escola Secundária de São Pedro, percebeu, ainda no 9.º ano de escolaridade, que o ensino profissional “seria uma alternativa, com mais saídas profissionais”.

Por isso, mudou de escolas para frequentar aquele curso, que abriu nesse ano. “O curso abriu quando fui para a São Pedro e parecia interessante, algo que me agradava. Agora que estou a terminar, aconselho esta área a outros alunos”, diz Maria Pedro.

Ensino Superior

“Quando entrei no curso, tinha a ideia de terminar e começar a trabalhar, mas conforme fui progredindo comecei a pensar em seguir os estudos para o ensino superior”, explica a aluna de Vila Real, acrescentando que o mesmo acontece com alguns dos seus colegas.

Gil Alvar PAM (1)“Os cursos têm equipamentos muito atualizados que preparam os alunos para o mercado de trabalho”
GIL ALVAR
DIRETOR DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS JÚLIO MARTINS
 

O ensino profissional não se fica pelo 12.º ano. Não é apenas Maria Luísa Pedro que tem o objetivo de prosseguir com os estudos no ensino superior. Segundo Paulo Pimenta, diretor do agrupamento de escolas de Vila Pouca de Aguiar, apesar da taxa de empregabilidade dos cursos técnicos ministrados ali, “tem vindo a aumentar, de ano para ano, os alunos que querem prosseguir os estudos no superior”, não havendo uma área em específico onde isso acontece em maior número. “Quer na área da mecatrónica, quer mesmo na restauração. O que para nós, é um motivo de regozijo”.

No entanto, a ideia principal é “oferecer ao mercado mão-de-obra qualificada”, por isso existem, neste agrupamento, “duas reuniões anuais com o tecido empresarial, nassuas várias áreas, e definimos o que pretendemos. Ouvimos da sua parte as necessidades, tomamos nota e internamente, tentamos dar resposta aos anseios dos empresários”.

A ligação entre escola e comunidade é também vista como essencial. Protocolos com instituições de ensino superior, associações, empresas, entidades culturais e organizações locais, permitem aos alunos um contacto mais próximo com diferentes contextos profissionais e sociais.

Mario Carneiro PAM (2)“É muito mais importante os cursos profissionais por aquilo que implicam para as profissões

MÁRIO CARNEIRO
DIRETOR DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FERNÃO MAGALHÃES 

Para isso acontecer, são importantes os estágios realizados ainda durante os anos do ensino profissional. “Pautamos sempre por colocar os nossos alunos naspreferências deles, não impomos nada, damos liberdade para escolherem o que pretendem”, assume o docente aguiarense. Isso acontece “ para, primeiro, responsabilizar e depois para perceber o que realmente os alunos querem, para valorizar o seu pensamento crítico”.

Num cenário de falta de profissionais qualificados em várias áreas técnicas, o ensino profissional assume, assim, um papel estratégico não apenas para os alunos, mas também para o desenvolvimento económico e social do território.

A diretora do agrupamento de escolas Dr. António Granjo, Ana Paula Carvalho, resume, de uma forma esclarecedora, o que é o ensino profissional atual e os desafios que o mercado de trabalho enfrenta. “Como deve perceber, vão fazer mais falta profissionais que trabalhem com as mãos. Por uma razão, a Inteligência Artificial não faz o trabalho manual. O cenário do emprego em todo o mundo vai mudar, no espaço de dois a três anos”, explica a docente de Chaves.

Fica a ideia que o ensino profissional prepara os jovens alunos mais rapidamente para o mercado de trabalho, ao mesmo tempo que lhes dá bases para prosseguir com os estudos e completar a licenciatura ou mestrado, formando-se profissionais mais capazes de enfrentar as dificuldades que se avizinham para o mundo empresarial.

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS JULIO MARTINS CHAVES ENSINO PAM 20


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