O indicador mede a percentagem de jovens que deixam o sistema educativo sem qualificações que facilitem a integração no mercado de trabalho, estando este fenómeno frequentemente associado a maiores riscos de desemprego, exclusão social e pobreza.
A evolução das últimas décadas revela uma transformação profunda no panorama educativo português. Em 2011, a taxa de abandono escolar precoce situava-se nos 22,8%, enquanto no início do milénio atingia os 44%. Em apenas 25 anos, Portugal reduziu este indicador em quase 38 pontos percentuais, como mostra o gráfico da EDUSTAT, uma plataforma desenvolvida pela Fundação Belmiro de Azevedo.
Evolução
A descida tem sido contínua e sustentada, refletindo uma maior capacidade do sistema educativo para manter os alunos no percurso escolar e aumentar a conclusão do ensino secundário. Entre os fatores apontados para esta evolução estão o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, implementado em 2009, e a expansão das vias profissionalizantes e dos cursos de dupla certificação.
Os dados mostram também diferenças entre géneros, embora cada vez menos acentuadas. Em 2025, a taxa de abandono escolar precoce entre as mulheres foi de 4,5%, enquanto entre os homens se situou nos 7,6%. Ainda assim, o diferencial reduziu-se significativamente face a 2011, quando a diferença entre homens e mulheres ultrapassava os dez pontos percentuais.
Portugal já tinha alcançado, em 2021, a meta definida pela União Europeia para 2030, que estabelece uma taxa de abandono escolar precoce inferior a 9%. Os números mais recentes colocam o país abaixo da média europeia.
De acordo com os dados europeus de 2024, Portugal registava uma taxa de 6,6%, claramente inferior à média da União Europeia (9,4%) e também abaixo de países como Espanha (13%), Alemanha (12,9%) ou Itália ( 9,8%).
Apesar da melhoria expressiva, continuam a existir desafios, sobretudo no combate às desigualdades sociais e territoriais que ainda influenciam os percursos escolares. Ainda assim, a trajetória portuguesa nasúltimas décadas representa um dos progressos mais significativos no contexto educativo europeu.
Esforços
De acordo com o documento da Comissão Europeia, “ Monitor da Educação e da Formação”, os esforços para “colmatar as lacunas de aprendizagem e reduzir os riscos de abandono escolar”, no nosso país, “são dificultados pela escassez crónica de professores qualificados”. Aponta o facto de ter sido introduzido o Plano +Aulas +Sucesso, que apoia a recuperação da aprendizagem e a melhorar os resultados escolares, “em parte através da reintegração de antigos profissionais, mas sobretudo retendo e atraindo professores e permitindo uma gestão mais eficiente do pessoal educativo”.
O mesmo documento identifica que, no início de 2025, esse programa “tinha permitido a retenção de 659 professores e o regresso de 682 profissionais, além da recontratação de 55 professores reformados para ensinar numa base flexível”. Mas aponta algumas fragilidades no sistema. Sublinha a Comissão Europeia que “subsistem preocupações quanto às qualificações do pessoal recém-recrutado”. A escassez de profissionais “é especialmente grave no caso dos professores de alunos com necessidades especiais”, uma vez que “vários” agrupamentos escolares “referem ter apenas um ou dois educadores especializados responsáveis por 50 a 60 alunos com necessidades educativas especiais”, revelando que é “particularmente problemática” nas regiões rurais ou desfavorecidas do ponto de vista socioeconómico.





